Crise no Ministério das Pescas: Sindicalista denuncia demissão e alegadas ameaças após denúncias públicas
O ex-porta-voz da Comissão Sindical dos Trabalhadores do Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, Bráulio Firmino, denuncia alegada perseguição sindical, ameaças e irregularidades administrativas, após ter sido afastado das suas funções na sequência de entrevistas concedidas a órgãos de comunicação social.
Por: Débora Manuel
Segundo o sindicalista, a sua demissão ocorreu depois de ter tornado públicas denúncias relacionadas com atrasos no carregamento dos cartões de compras e na activação do seguro de saúde dos trabalhadores do sector.
Denúncias sobre benefícios sociais dos trabalhadores
De acordo com Bráulio Firmino, os trabalhadores enfrentaram durante vários meses dificuldades relacionadas com a ausência de carregamento dos cartões de compras e a paralisação do seguro de saúde, situação que, segundo afirma, afetou diretamente o acesso à alimentação, medicamentos e assistência médica.
O ex-porta-voz sindical sustenta que o problema não resultava de falta de verbas, mas de alegados bloqueios internos na gestão administrativa do ministério.
Regularização dos benefícios após exposição pública
Bráulio Firmino afirma que, após as denúncias feitas na imprensa, houve avanços na regularização do seguro de saúde e na ativação dos cartões de compras dos funcionários.
“Depois de eu falar na imprensa, resolveram a situação do seguro e ativaram os cartões de compras”, afirmou.
Segundo o sindicalista, as medidas só foram implementadas após a exposição pública do caso.
Contestação da demissão e alegações de perseguição sindical
O ex-porta-voz sindical considera a sua demissão injusta e afirma ter sido o único elemento da estrutura sindical afastado das funções.
“Entre todos, fui o único que demitiram”, declarou.
Bráulio Firmino defende que representantes sindicais não devem ser penalizados pelo exercício das suas funções, sobretudo quando atuam na defesa de direitos laborais dos trabalhadores.
O sindicalista afirma ainda que pretende regressar ao trabalho e entende que a sua saída resultou diretamente das denúncias públicas feitas contra práticas administrativas internas.
Alegadas ameaças e clima de insegurança
Bráulio Firmino afirma viver atualmente sob tensão, alegando que recebeu ameaças de morte juntamente com membros da sua família.
Segundo o ex-sindicalista, o ambiente tornou-se mais sensível após as denúncias feitas publicamente sobre a situação dos trabalhadores e a gestão interna do ministério.
As alegações não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades competentes até ao momento.
Relação com a direção administrativa do ministério
O ex-porta-voz sindical afirma que o seu conflito não é diretamente com a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, mas com responsáveis administrativos da instituição.
Segundo as suas declarações, a secretária-geral e o diretor dos Recursos Humanos terão transmitido informações negativas sobre a sua pessoa à tutela, contribuindo para o agravamento do processo disciplinar.
Acusações sobre o processo disciplinar
Bráulio Firmino alega ainda que, durante o processo disciplinar, foram procurados elementos para justificar a sua responsabilização administrativa.
Segundo afirma, mesmo em dias em que se encontrava em exercício de funções ou a responder ao próprio processo disciplinar, ter-lhe-iam sido atribuídas faltas injustificadas.
O sindicalista considera que tais medidas fizeram parte de uma estratégia para sustentar o seu afastamento.
Pedido de contraditório enviado ao ministério
O jornal Na Mira do Crime endereçou um pedido formal de contraditório ao Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, com o objetivo de obter esclarecimentos sobre as alegações apresentadas pelo ex-porta-voz sindical.
Até à presente data, não foi obtida qualquer resposta oficial da instituição.
Caso continua sob acompanhamento
O caso continua a gerar reações no sector das pescas, num contexto marcado por denúncias de tensão laboral, alegadas perseguições internas e reivindicações ligadas às condições sociais dos trabalhadores.
As alegações apresentadas pelo ex-porta-voz sindical permanecem sem confirmação oficial das entidades visadas.







