Suposto pastor acusado de burlar mais de 30 fiéis com falsas promessas de emprego na TAAG e na Presidência da República: Cobrava entre 100 mil e 450 mil kwanzas
Mais de 30 membros de uma congregação religiosa acusam um suposto pastor, identificado como Dário Kiamuxinda de Carvalho Santana, de 40 anos de idade, da Congregação Visão da Graça, afeta ao Centro Nova Cidade da Renovação na Fé, pertencente ao Ministério Maculusso, localizado no bairro Capalanga, município dos Mulenvos, de os ter burlado com falsas promessas de emprego na TAAG e em instituições ligadas à Presidência da República, orientando os interessados a entregar quantias que variavam entre os 100 e 450 mil kwanzas, sob a alegação de que os valores seriam utilizados para garantir vagas de emprego nas referidas instituições.
Por: Adão Paxi
Em entrevista exclusiva ao Jornal Na Mira do Crime, na quinta-feira, 18 de Junho, os lesados afirmaram que o pastor se apresentava como funcionário da TAAG e alegava possuir ligações privilegiadas com instituições do Estado, incluindo a Presidência da República.
De acordo com os fiéis, o religioso dizia ter exercido funções ligadas à área de inteligência, recursos humanos e programação de redes, utilizando essas alegadas credenciais para conquistar a confiança dos membros da igreja.
"Entreguei 58 mil kwanzas para o reconhecimento dos documentos e, posteriormente, mais 450 mil kwanzas para garantir a minha vaga. Fiz esse esforço porque acreditava que estava diante de uma oportunidade séria de trabalho.
Até hoje não fui chamado para trabalhar e também não recebi o meu dinheiro de volta", declarou Mateus Alfredo ao Jornal Na Mira do Crime.
Outra vítima, Paulo Manuel Pascoal, conta que também efectuou pagamentos após ser convencido de que o processo de recrutamento era legítimo e contava com garantias de colocação profissional.
"Confiámos nele por ser nosso pastor e por afirmar que tinha ligações com a TAAG e outras instituições do Estado. Fizemos sacrifícios para conseguir o dinheiro, mas as promessas nunca foram cumpridas.
Sentimo-nos enganados", lamentou. As vítimas relatam que o pastor anunciou a existência de vagas de emprego para cidadãos com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos. Para participar do suposto processo de recrutamento, os interessados eram orientados a pagar inicialmente cerca de 105 mil kwanzas, valor que, segundo ele, seria destinado ao reconhecimento de documentos, cartas de motivação e registo dos candidatos.
Entretanto, após os primeiros pagamentos, os candidatos foram informados de que deveriam desembolsar quantias adicionais para assegurar as vagas. Alguns lesados afirmam ter sido instruídos a entregar até 450 mil kwanzas por pessoa, sob a promessa de que começariam a trabalhar já no mês de Junho.
Entre os denunciantes encontram-se membros da própria congregação, que afirmam ter confiado no pastor devido à relação de proximidade e confiança existente no seio da igreja. Segundo os relatos, várias famílias recorreram a empréstimos e esforços financeiros para reunir os valores exigidos, acreditando que estavam perante uma oportunidade legítima de emprego.
O Jornal Na Mira do Crime tentou contactar o suposto pastor acusado para ouvir a sua versão dos factos, mas sem sucesso. Todas as tentativas de contacto telefónico realizadas pela nossa equipa de reportagem não foram atendidas.







