Filhos de ex-agente da Polícia denunciam obstáculos na inserção do pai na Caixa Social
Filhos de Gaspar Domingos, de 59 anos de idade, alegadamente ex-efectivo da Polícia Nacional, denunciam dificuldades e sucessivas barreiras burocráticas no processo de inserção do pai na Caixa Social da corporação.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O cidadão sofre de problemas psicológicos desde 2008 e vive actualmente em condições consideradas precárias pela família.
Segundo os familiares, os primeiros sinais da doença surgiram quando Gaspar Domingos ainda exercia funções na Polícia Nacional, situação que acabou por impedir a continuidade normal da sua actividade profissional.
Em declarações ao Na Mira do Crime, uma das filhas explicou que, na altura em que o pai adoeceu, todos os filhos eram menores de idade, o que dificultou qualquer iniciativa para resolver a situação junto das autoridades competentes.
“Quando a situação do pai começou, éramos todos menores e nada podíamos fazer. Quando o meu irmão mais velho atingiu a maioridade, em 2017, começou a procurar informações junto das instituições policiais para saber como proceder para que o pai voltasse a receber o salário ou fosse integrado na Caixa Social da Polícia, somos ao Capolo I, onde ele trabalhou durante muito tempo como instrutor, e posteriormente ao Comando Geral da Polícia Nacional”, contou.
A entrevistada referiu ainda que a família já havia iniciado diligências anteriormente, mas o processo acabou interrompido devido ao falecimento da mãe, esposa de Gaspar Domingos.
“A nossa mãe e a irmã mais velha estavam à frente de todo o processo, como éramos menores, dependíamos delas, infelizmente a mãe faleceu e, mais tarde, também perdemos a nossa irmã mais velha, diligências ficaram paradas até que o meu irmão retomou o processo em 2017, desde então continuamos sem uma solução”, explicou.
“Passámos momentos muito difíceis, dependendo muitas vezes da ajuda de familiares para garantir a alimentação, houve falta de apoio para os estudos e, com a morte da nossa mãe, tudo ficou ainda mais complicado, o desespero aumentou quando a nossa irmã mais velha, que tratava do caso do pai, também faleceu”, recordou.
Por sua vez, Miguel Salvador Domingos, filho de Gaspar Domingos, afirma que sempre que o processo parece estar próximo da conclusão, surgem novos entraves administrativos.
“Somos órfãos de pai e mãe, a nossa irmã mais velha deixou dois filhos e o nosso pai vive com perturbações mentais, em condições muito difíceis, temos toda a documentação necessária para comprovar a situação, o que queremos é que ele volte a beneficiar dos seus direitos e seja inserido na Caixa Social, sempre que pensamos estar na fase final, somos orientados a reiniciar o processo praticamente do zero”, lamentou.
Contactado pelo Na Mira do Crime, a Direcção da Escola Prática de Polícia (EPP) informou que já tomou conhecimento do caso e que decorrem diligências internas para apurar a veracidade das informações apresentadas pela família.







