Pacientes queixam-se de morosidade e sucessivos adiamentos nas consultas no Instituto Oftalmológico Nacional de Angola
Utentes do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola (IONA), localizado no município do Rangel, em Luanda, denunciam alegadas dificuldades no acesso a consultas e tratamentos, apontando morosidade no atendimento e sucessivos adiamentos de marcações de consultas, situação que tem agravado o sofrimento de pacientes com doenças oculares.
Por: Adão Paxi
Durante uma reportagem realizada nesta segunda-feira, 22, pelo Jornal Na Mira do Crime, vários pacientes manifestaram descontentamento com o tempo de espera e a gestão das marcações.
Entre os casos relatados está o de Marta Simão Panzo, de 58 anos de idade, que diz enfrentar problemas de visão há mais de dois anos sem conseguir obter a assistência especializada necessária.
“Tenho problemas de visão há mais de dois anos e, até hoje, não consegui obter a assistência especializada necessária. Já passei por várias consultas e continuo sem uma solução concreta para o meu caso, o que tem agravado a minha preocupação e o meu sofrimento”, lamentou.
De acordo com Mário Lukondo, de 60 anos de idade, natural da comuna do Quipeio, município da Ecunha, província do Huambo, o percurso clínico tem sido longo e marcado por sucessivas transferências entre unidades hospitalares.
O paciente relata que sofre de um tumor no olho direito há cerca de dois anos, tendo passado por diferentes instituições de saúde antes de ser encaminhado para Luanda.
“Comprei os medicamentos que me receitaram e mandaram-me regressar no dia 22 de Maio. Quando voltámos, remarcaram a consulta para 27 de Junho. As dores são muito fortes e o sofrimento continua”, lamentou.
Mário Lukondo acrescenta que a situação se agrava devido à falta de resposta imediata aos casos mais urgentes, afirmando que já procurou atendimento em várias unidades, incluindo no Huambo e em Benguela, antes de ser encaminhado novamente para a capital.
Outro ponto levantado pelo paciente é a alegada limitação de meios técnicos para determinados exames.
“Disseram-nos que não há equipamento para fazer TAC. As dores são muitas. No sábado, 13 de Junho, voltámos a procurar atendimento e fomos consultados com muita dificuldade. Acabei por receber uma injeção para aliviar a dor”, afirmou.
Outros utentes que preferiram não se identificar relatam igualmente longos períodos de espera e adiamentos frequentes, defendendo a necessidade de melhorias na organização dos serviços e na capacidade de resposta da instituição.
Contactado pela nossa reportagem, o diretor administrativo do IONA, Dr. Paulo Trosso, explicou que a elevada procura pelos serviços tem contribuído para os atrasos registados no atendimento.
“É normal existir alguma morosidade no atendimento hospitalar, porque nem todos os pacientes podem ser atendidos no mesmo dia. Temos uma grande procura pelos nossos serviços. Não se trata de falta de equipamentos ou medicamentos, pois dispomos dos meios necessários", declarou.
"Quando os utentes enfrentarem dificuldades, devem dirigir-se à área administrativa para a resolução das suas preocupações”, orientou.







