Em jogo estão uma casa e duas carrinhas- Disputa de herança entre seis irmãos resulta em detenções e apreensão de bens na Maianga
Uma família composta por seis irmãos, "luta" pela titularidade de um imóvel, localizado na rua dos Mareantes, bairro do Prenda, município da Maianga, que tem sido alvo de disputa judicial, mas que o irmão na parte paterna diz ser o dono legítimo do imóvel, uma conclusão a que chegou depois da leitura de um suposto testamento, deixado pelo pai.
Por: Cambuta Vieira
Cristina Domingos Bento Honga, de 43 anos de idade, frisou que os seus pais Domingos Gonga e Madalena Francisco (falecidos) viveram por mais de 45 anos na residência em causa, que foi atribuída ao seu pai no período pós-independência.
"Nascemos e crescemos aqui, o meu pai teve mais filhos com outras mulheres. O nosso irmão de pai tinha sido levado por este para fazer o testamento, facto que consideramos irregular", apontou,
sublinhando que passado um ano após a morte do pai, foi realizada a abertura e leitura do testamento, precisamente no dia 10 de Setembro de 2025, no segundo cartório da comarca de Luanda.
Aí, notaram que a divisão da herança não foi equitativa. Dizem que Orlando foi o mais beneficiado, ficando com a casa, hoje alvo de disputa, "onde a mãe dele nunca viveu". Como se não bastasse, também ficou com as duas carrinhas.
"Nós impugnamos o testamento junto do tribunal de comarca de Luanda, com o nosso advogado, no intuito de rever as irregularidades, porque essa casa sempre foi da nossa mãe, eles nunca viveram aqui", enfatizou.
Dizem que, desde que se leu o testamento, Orlando entende que é o dono "das coisas" e tem estado a mandar polícias para para alegadamente notificar os outros irmãos, e questiona o facto de o pai ter deixado a casa para um filho que nunca esteve presente, nem mesmo na sua morte.
A referida casa estava na renda e quando o contrato com a inquilina terminou, ela decidiu deixá-la, permitindo aos seus donos arrendá-la novamente.
"Após a morte da nossa mãe em 2022, o pai reuniu com todos filhos e disse que a casa do Prenda pertence aos filhos da senhora Madalena, mesmo ela não estando mais em vida, havia familiares, bem como os vizinhos que podem confirmar", revelou.
Disse ainda que em Outubro de 2025, foi notificado pelo SIC, e no dia 23 de Dezembro de 2025, todos foram notificados pelo SIC-Geral. "E no dia 26 de Junho, apareceu, em casa, homens armados e, levaram o meu irmão", denunciou.
Francisco Domingos Gonga, de 38 anos de idade, fez saber que nesse dia, por volta das 14 horas, mais de 10 homens armados, supostos efectivos do SIC, que se faziam transportar em três viaturas e duas motorizadas, trajados com vestes da polícia da ordem pública e coletes do SIC, arrombaram e revistaram a casa toda.
"Eu fui apontado com arma de fogo ao corpo todo, arrombaram a porta do meu quarto, desapareceu um iPhone 14, um auricular da Apple depois tenho que ver com calma o que mais está em falta", denunciou.
Francisco conta que ficou mais de três horas detido, na esquadra do Neves Bendinha e que, para a sua liberdade, os efectivos exigiam que ele mostrasse onde estava as carrinhas do falecido pai. Adão Domingos Gonga, de 50 anos de idade, explicou que, no princípio, quando o pai estava em vida havia bom relacionamento com o acusado, mas depois da morte do pai começou o dilema.
Por essa razão, decidiram afastar-se dos irmãos e devido as questões financeiras, o processo não está a seguir o seu curso normal. Essa luta é antiga, diz um dos queixosos. "Há anos, os meus pais estavam a cultivar lavras no Bengo e o Orlando veio aqui em casa fez uma confusão connosco e colocou fogo na residência, graças os vizinhos que o pior não aconteceu", afirmou.
Uma sobrinha do acusado disse que tinha ido para o segundo cartório da comarca de Luanda, e quase durante um ano diziam que o cofre estava fechado, não teve êxito. "Fiquei espantada que em menos de um mês, o Orlando conseguiu mandar abrir o testamento", reagiu.
Na manhã desta quarta-feira, 01 de Julho, os efectivos voltaram à residência, fecharam as portas com os bens do inquilino dentro e levaram o senhor Francisco Gonga que se encontra detido nas celas da Oitava esquadra no Prenda.
Pedro Gama, mandatário judicial de Orlando Gonga, disse que segundo o testamento, o senhor Orlando ficou com a residência do Prenda e duas carinhas, os outros ficaram com a residência do Kikolo, enquanto a casa do Bengo e a fazenda ficaram com os restantes filhos.
Durante a fase da tramitação do testamento, uma delas herdeiras arrombou a porta em conluio com um senhor e apossaram-se da carrinha, simularam vender o tractor que o pai deixou. Com o testamento, ficou claro que todos eles participaram e assinaram e, nestes termos, por conta do esbulho que eles fizeram: invadir o imóvel, houve um processo-crime contra eles, que tramitou na oitava esquadra do Prenda, onde o procurador diligenciou junto do segundo cartório e oficializou o testamento e viu que estava claro e objectivo. Em função, disso promoveu o despejo.
A redacção deste jornal sabe que decorre um processo-crime número 2083/25, junto do Ministério Público.







