Na Camama - Cidadão sofre agressões graves por se recusar a guardar sacos de liamba dos vizinhos em sua casa
Um cidadão nacional identificado por Elizandro Júlio Gonga, de 30 anos de idade, residente no bairro Simione, município da Camama, denuncia ter sido vítima de uma violenta agressão, alvo de invasão da sua residência e roubo de diversos bens, alegadamente praticados por um grupo de moradores do mesmo bairro. Os agressores não gostaram do facto da vítima se recusar a guardar sacos de liamba e alguns bens roubados.
Por: Débora Manuel
De acordo com o relato de Elizandro Júlio Gonga, o conflito começou depois de se recusar a guardar, na sua residência, alegados sacos de liamba e bens que, segundo afirma, eram provenientes de furtos praticados por delinquentes do bairro.
O denunciante afirma ainda que foi pressionado a aderir a um alegado esquema de ligações clandestinas de energia eléctrica, através do corte de um dos cabos da ENDE, mediante o pagamento de 30 mil kwanzas, proposta que igualmente recusou.
Segundo contou, após as recusas passou a ser alvo de ameaças constantes. “Disseram que eu tinha de abandonar a casa e que, se não saísse, seria morto. Também diziam que já tinham matado outras pessoas e que comigo fariam o mesmo”, contou.
Ainda segundo o denunciante, a mulher identificada por São Maior teria sido a mandante das agressões, alegando que ordenou a familiares e outros indivíduos que o atacassem. Elizandro identifica como alegados participantes Marco, Mana Joana, Pai Zap, Latos S, Tio Runni e Izau. Segundo a sua versão, Latos S foi o indivíduo que lhe desferiu dois golpes de faca nas costas, enquanto os restantes o agrediam fisicamente, tendo ficado com ferimentos graves que motivaram o seu internamento numa unidade hospitalar.
Segundo a vítima, após as agressões, os suspeitos arrombaram a residência e retiraram dinheiro, um televisor, botijas de gás, um gravador, entre outros bens.
À reportagem, Elizandro apresentou imagens dos ferimentos sofridos durante o internamento, fotografias da residência vandalizada e vídeos gravados no dia da ocorrência. O denunciante afirma ainda que São Maior foi detida no mesmo dia da ocorrência, tendo sido colocada em liberdade no dia seguinte. Sustenta igualmente que a mesma incentivava jovens do bairro a procederem ao corte de um dos cabos da ENDE para que vários moradores deixassem de pagar energia eléctrica através do sistema pré-pago.
Estas alegações são da exclusiva responsabilidade do denunciante e carecem de confirmação pelas autoridades competentes. “Tenho medo de voltar para casa. Continuam a dizer que vão matar-me. Só peço que as autoridades façam justiça antes que aconteça o pior”, apelou. Polícia confirma detenção de um dos implicados O porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Superintendente Nestor Goubel, esclareceu ao Na Mira do Crime que o caso já foi esclarecido pelas autoridades.
Segundo explicou, após a denúncia, foi instaurado o respectivo processo-crime e o presumível autor envolvido na agressão foi detido, tendo sido posteriormente encaminhado ao Ministério Público. De acordo com a informação transmitida à Polícia pelo Comando Municipal da Camama, o suspeito permanece detido enquanto decorrem os trâmites legais do processo.
O Jornal Na Mira do Crime tentou igualmente contactar o comandante Ângelo, afecto à Esquadra da Camama, mas não obteve resposta às chamadas efectuadas. O Na Mira do Crime não conseguiu, até ao fecho desta matéria, ouvir São Maior nem os restantes cidadãos apontados pelo denunciante como alegados participantes nas agressões, mantendo, por isso, total abertura para publicar os seus esclarecimentos, em respeito ao princípio do contraditório.







