Estimulantes sexuais e produtos para “jarda” configuram entre as mais de 4 toneladas de medicamentos apreendidos pelo DIIP - Duas toneladas saíram dos Kwanzas e Kicolo
Mais de quatro toneladas de medicamentos diversos, comercializados de forma ilegal e em condições impróprias para o consumo, foram apreendidas pela Polícia Nacional, através da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), no âmbito da "Operação Autenticidade", desencadeada em todo o território nacional para combater o comércio ilícito de fármacos e proteger a saúde pública.
Por: Débora Manuel
A apresentação dos resultados decorreu nesta terça-feira, 07, nas instalações do Departamento Provincial de Investigação de Ilícitos Penais, na Centralidade do Sequele, província de Icolo e Bengo. Segundo o porta-voz do DIIP, Intendente Quintino Ferreira, só na província de Luanda foram apreendidas cerca de duas toneladas de medicamentos, maioritariamente nos mercados do Kikolo e dos Kwanzas, enquanto o volume nacional ultrapassa as quatro toneladas, resultado de operações realizadas em simultâneo nas 21 províncias do país.
Entre os medicamentos apreendidos destacam-se paracetamol, antibióticos, anti-tússicos, estimulantes sexuais e produtos utilizados para a chamada “jarda”, todos comercializados em condições ilegais e impróprias.
“Um atentado à saúde pública”, classificou o responsável. De acordo com o porta-voz, a operação permitiu igualmente a detenção de 89 cidadãos suspeitos de envolvimento na comercialização ilegal de medicamentos e na falsificação de documentos.
Entre os detidos encontram-se cinco cidadãos estrangeiros, entre eles um congolês e quatro cidadãos chineses, alegadamente envolvidos na actividade criminosa. Quintino explicou que muitos dos medicamentos apreendidos apresentavam datas de validade expiradas, outras adulteradas e rótulos falsificados, colocando em risco a saúde dos consumidores.
“Encontrámos medicamentos com a validade vencida, outros com datas alteradas e produtos com informações falsas nos rótulos. Tudo isso representa um sério perigo para a saúde pública”, afirmou.
Segundo o oficial, vários suspeitos tentavam legitimar a origem dos medicamentos através de documentação falsificada, razão pela qual alguns foram igualmente detidos pelo crime de falsificação de documentos.
Questionado sobre os medicamentos utilizados para procedimentos estéticos, vulgarmente conhecidos como “jarda”, o porta-voz admitiu que as autoridades têm conhecimento de diversos casos de complicações provocadas pela utilização destes produtos.
“O medicamento, quando é conservado em condições impróprias ou apresenta validade vencida ou adulterada, deixa de cumprir a sua função terapêutica e passa a representar um risco para quem o utiliza”, alertou.
O responsável esclareceu ainda que os medicamentos apreendidos não tiveram origem comprovada em unidades hospitalares, sendo considerados produtos de proveniência duvidosa e, em muitos casos, contrafeitos.
Todos os medicamentos apreendidos serão submetidos aos procedimentos legais e posteriormente destruídos, por não reunirem condições para consumo. A Polícia Nacional apelou ainda à população para adquirir medicamentos apenas em farmácias devidamente licenciadas e mediante receita médica, evitando recorrer a mercados informais e vendedores ambulantes.
“Comprar medicamentos em mercados ou na zunga pode colocar seriamente a saúde em risco”, concluiu o Intendente Quintino Moreira.







