Vida em risco – Jovens procuram metais até 05 metros abaixo do solo na lixeira do Golfe-02
A diminuição de casas de pesagem de metais recolhidos nas principais cidades angolanas em quase nada contribuiu para diminuição do vandalismo ou recolha do material pelas famílias mais desfavorecidas.
A reportagem do Jornal Na Mira do Crime foi à lixeira do Golfe -02, município do Kilamba Kiaxi e assistiu cenários horríveis.
Por: Lito Dias
Jovens, cabritos, galinhas e porcos tomaram de assalto a lixeira do Golfe-02. Cada animal com a sua missão. Mas a missão dos jovens com idades compreendidas entre os 10 e 30 anos afigura-se mais árdua.
Falar de excesso de excreções, animais mortos, cheio enjoativo que invade os casebres de chapas, não é novidade. Aliás, trata-se de uma lixeira. Mas que pessoas passem tantas horas a suportar aquele cenário, isso deixa muito a desejar. Há uma procura desenfreada por materiais ferrosos, de uma forma geral, onde os jovens arriscam tudo, inclusive as suas vidas.
“Aqui, tudo aparece e tudo pode acontecer”, assegurou o jovem Armindo Soela, que, em nome de todos, disse estar nessa vida há mais de 07 anos. Da lixeira sai sempre qualquer coisa para pesar e, no final do dia, o esforço pode compensar, disse o jovem que, “como tudo”, há dias em que não consegue granjear o suficiente para se alimentar.
Nesses casos, paciência é a palavra de ordem. O segredo, disse, é cavar mais fundo. “Quanto mais fundo cavarmos, mais facilidade temos de encontrar ferros”, pois temos indicações de que, no passado, os ferros-velhos de viaturas e não só eram depositados aqui”, explicou, garantindo que essa informação colhe, se se tiver em conta a constatação no terreno.
Rafael Bernardo é outro jovem que assume a missão mais difícil: a de cavar. Eles trabalham encadeados. Ou seja, no começo, vão cavando todos, mas à medida a que vão ganhado profundidade, só um é que entra e, devagar, vai removendo os obstáculos passando-os para os outros que estiverem à superfície.
“Quando encontrarmos um metal pesado, aí envolvemo-nos todos, abrindo outros buracos à volta do grande obstáculo”, especificou. Eles dizem não temer da profundidade, porque fazem tudo com cuidado, chegando mesmo a escavar até mais de cinco metros de profundidade.
Garantem que o risco de registo de desabamento é mínimo, porque “o terreno está assegurado por plásticos”. De olhos postos no ‘tesouro’, esperam, muito brevemente, aperfeiçoar o método de escavação, com a entrada em cena de uma máquina escavadora. Quanto à pesagem, já melhoraram “bastante”, com a utilização de uma balança que é levada ao meio da lixeira, evitando levar o material recolhido às casas vocacionadas para o efeito. “A polícia incomoda muito se levarmos de motos de três rodas os ferros recolhidos”, referiram.
Outra informação que saltou à vista tem a ver com o facto de, às vezes, se encontrar ossadas com feitio de humanas. “Se nós denunciarmos, podem correr connosco e perdemos o local de onde sai o nosso ganha-pão”, justificam.







