Sonho interrompido: Família de “Fofa” diz que vítima permaneceu mais de uma hora em paragem cardiorrespiratória durante procedimento de hidrolipo
Uma cidadã nacional, que em vida atendia pelo nome Flávia Fernanda Ferreira Pereira, também conhecida por “Fofa”, de 37 anos de idade, morreu depois de permanecer vários dias internada em estado crítico na Clínica General Katondo, em Luanda, na sequência de um alegado procedimento de hidrolipo realizado numa clínica de estética pertencente à cidadã Leonice, conhecida por “Nice”, actualmente em prisão preventiva.
Por: Débora Manuel
Em entrevista concedida ao Jornal Na Mira do Crime, a irmã da malograda, Cidalina da Silva, contou que a família viveu momentos de profunda angústia desde o dia em que Flávia deu entrada na unidade hospitalar até ao anúncio da sua morte.
Segundo a familiar, a notícia foi comunicada pela equipa médica nas últimas horas de vida da paciente.
“Recebemos a notícia ainda no hospital. Eram por volta das 18 horas ou quase 19 horas quando a directora clínica e o médico que acompanhava a minha irmã aproximaram-se de nós e disseram que o coração dela já não estava a aguentar e que era o momento de começarmos a despedir-nos dela”, recordou.
De acordo com Cidalina, os médicos explicaram que Flávia desenvolveu um edema cerebral que comprometeu praticamente todo o cérebro, consequência da prolongada falta de oxigenação.
A família acredita, porém, que a morte poderia ter sido evitada.
“A minha irmã ficou muito tempo em paragem cardiorrespiratória. Chegou ao hospital mais de uma hora depois. Se tivesse recebido assistência mais cedo, talvez hoje estivesse viva”, lamentou.
A irmã revelou ainda que os quatro filhos da vítima enfrentam agora uma perda irreparável.
“As crianças mais pequenas ainda não conseguem compreender completamente o que aconteceu à mãe", observou.
Questionada sobre a prisão preventiva aplicada à responsável pela clínica, Cidalina considera que a decisão representa um primeiro passo para o esclarecimento dos factos.
“Ela tentou fugir. Não podia responder ao processo em liberdade. Agora esperamos que a Justiça faça o seu trabalho até ao fim.”
Segundo a familiar, a família também pretende que a responsável seja civilmente responsabilizada pelos danos causados.
“Além da pena que vier a ser aplicada, esperamos que haja uma indemnização pelos prejuízos causados à nossa família”, exigiu.
Cidalina aproveitou igualmente para apelar às autoridades competentes para reforçarem a fiscalização das clínicas de estética em todo o país.
“Depois que o caso da minha irmã se tornou público, apareceram muitas outras mulheres a relatar situações semelhantes. Há pessoas com graves deformações e complicações provocadas por procedimentos realizados naquela clínica. Isto já não é um problema apenas da nossa família, é um problema de saúde pública", disse.
Segundo afirmou, a responsável pelo estabelecimento exercia actos que, no entendimento da família, deveriam ser realizados exclusivamente por médicos especialistas.
“Estamos a falar de procedimentos cirúrgicos que devem ser feitos por cirurgiões plásticos e não por uma esteticista”.
A jovem dirigiu ainda um apelo ao Ministério da Saúde, ao Ministério do Interior, ao Ministério Público e aos tribunais para que o caso seja tratado com o rigor que exige.
“Não queremos que outra família passe pelo sofrimento que estamos a viver”.
Ao recordar a irmã, emocionou-se ao falar dos sonhos interrompidos.
“Ela queria abrir a própria empresa, queria ver os quatro filhos crescerem e formarem-se. Também sonhava ver a irmã concluir os estudos. Infelizmente, esses sonhos terminaram com a sua morte", lamentou.
A família termina deixando um alerta às pessoas que pretendem recorrer a procedimentos estéticos.
“Antes de qualquer procedimento, investiguem bem o profissional e o local. A nossa irmã confiou e hoje já não está entre nós", alertou.







