Comissão de pais da Divina Providência "desapareceu" com milhões de kwanzas cobrados para pavimentação de rua
A comissão de país e encarregados de educação do Complexo Escolar Divina Providência, situado no município do Kilamba Kiaxi, na rua da Ecoal, efectuou, em 2019, cobranças no valor de dois mil kwanzas a cada aluno, para pavimentar a rua que dá acesso à referida instituição, mas as obras não foram realizadas.
Por: Ana Valéria e Luís Manassa
Segundo estudantes da Divina Providência, no ano de 2019 lhes foi cobrado o valor de 2.000kz para a pavimentação da rua que dá acesso ao recinto escolar, porque quando chove impossibilita os alunos e funcionários chegarem à instituição.
Porém, o que chamou a atenção dos alunos e de alguns pais e encarregados de educação, é o facto de que, de lá para cá nada foi feito em relação ao arranjo da rua, apesar dos pagamentos terem sido feitos. Quando se toca no assunto, simplesmente dizem para aguardar.
Diante da preocupação manifestada pelos estudantes, o Na Mira do Crime deslocou-se até ao referido estabelecimento escolar, onde foi informado, pela directora da escola que preferiu não ser identificada, que a direcção do complexo não tem nada a ver com o assunto, porque a iniciativa não foi sua, mas sim da “comissão dos pais e encarregados de educação que reuniram e acharam por bem fazer a tal cobrança aos estudantes”.
Ao ser questionada sobre o montante arrecado com a referida cobrança, a directora disse: "não sei quanto foi, pois a comissão de pais e encarregados de educação já tinham um empreiteiro para fazer a pavimentação, tenho informação que pagaram o empreiteiro e compraram alguns materiais”, acrescentando que "o meu erro talvez foi aceitar esta proposta vinda da comissão”.
Alega ainda a directora que a direcção do Complexo Escolar Divina Providência não participava nas reuniões da comissão dos pais e encarregados de educação, por este motivo não pode dar mais dados acerca do assunto.
Dona Angelina de Carvalho, mãe de 5 filhas que frequentavam o complexo acima citado, uma estava no ensino de base e as outras estavam no primário, diz que lhes foi exigido o valor de 2.000kz para a dita pavimentação da rua e, no total, pagou 10 mil kwanzas.
Contudo, até hoje nada foi feito. "Pavimentaram apenas uma parte muito reduzida que não melhorou nada, os transtornos continuam e exijo que digam onde foi o dinheiro porque trata-se de 4 anos desde que fizeram a promessa”, reclama a senhora.
António Muanza, também pai de dois meninos que frequentavam a instituição diz que "pagou 8 mil KZ porque haviam dito que quem não pagasse, não receberia o certificado, isto para os estudantes que estavam a fazer a 9°classe”, realçando que lhes foi imposta uma pressão para o rápido pagamento.
O cidadão refere que está insatisfeito com a atitude da instituição, que não teve consideração em falar com os encarregados para esclarecer a razão para que a pavimentação não tenha acontecido até ao momento. “É lamentável esta situação”, frisou.
Numa conversa com o ex-presidente da comissão dos pais e encarregados de educação do Complexo Escolar Divina Providência, o mesmo afirmou que o projecto para a pavimentação da rua que liga à escola continua de pé.
"No ano em que começamos a cobrar os valores houve resistência da parte dos alunos em dar os valores, há quem se fazia despercebido, era mesmo ignorância, levamos meses para concluir o valor que na altura arrecadamos que totalizou um milhão de kwanzas”, disse.
Entretanto, acrescentou, o valor “não foi suficiente tendo em conta o aumento de preços nos mercados sobre os materiais.
Por está razão houve a necessidade de nos reunirmos novamente com a direcção da escola e, na altura, participou da referida reunião duas irmãs (madres), e fizemos a proposta de uma nova contribuição, porque fez-se um outro orçamento que rondava os seis milhões de kwanzas.
O empreiteiro responsável da obra está com alguns materiais para o projecto ser concluído. A direcção da instituição estava a par do projecto”, acrescentou. Um assunto que ainda vai dar “pano para mangas”!







