Preço da cesta básica continua em alta no mercado
Conforme as previsões de alguns especialistas, dentre eles economistas, depois da subida do preço da gasolina, verificar-se-ia a alteração do preço da cesta básica, agravando ainda mais o sofrimento das famílias. E assim, está a acontecer.
Por: Cambundo Caholua
Os consumidores estão a ter cada vez mais dificuldades de adquirir produtos básicos para se alimentarem. "O dinheiro está difícil", resumiu Marieth António que disse ter ficado "pasmada" ao confrontar-se com a subida dos preços no mercado, quase todos os dias.
O Na Mira do Crime fez uma ronda por alguns mercados da capital e verificou situações assustadoras, atendo-se ao relato de cada uma das consumidoras.
Os comerciantes de armazéns, muitos deles de nacionalidade estrangeira, alegam que só estão alterar os preços porque há escassez no fornecimento dos produtos. Isto, acrescentam, faz com que a cesta básica suba.
"Pagamos o transporte e a base que nos abastece os produtos também está a aplicar um preço muito alto, por conta de algumas unidades de referência que estão encerradas", referiu um cidadão Eritreu, dono de um armazém.
Nos mercados como da Estalagem, do Km-30, Congolenses, Kikolo e outros por onde este Jornal passou, foi notável a tristeza e preocupação de vários consumidores, com o aumento dos preços dos alimentos, isto desde que o Executivo angolano retirou os subsídios da gasolina.
A situação tornou-se mais grave com o anúncio do encerramento de alguns armazéns que vendiam a grosso.
"Nessas circunstâncias, há sempre comerciantes oportunistas que alteram os preços", reconheceu um armazenista.
Só para citar alguns produtos, por exemplo: o saco de arroz de 25kg antes era comercializado 7.500 a 8.500 Kwanzas, mas agora passou para 14.800 ou 15.700 Kwanzas.
Enquanto isso, a caixa de massa alimentar, que era vendida a 3.800 Kwanzas, agora está a custar 5.500. Já o saco de feijão de 50kg que antes custava 16.000, agora está no valor de 22.500.
O preço de frescos também disparou: a caixa de carapau, que custava 28.000kz, agora está a 39.000kz, o pescoço de porco de 10kg, que antes era vendida a 9.000 agora está a 12.500 kz e a caixa de asinha, antes custava 11.000kz, agora passou a custar 12.500, a caixa de coxa de frango que antes custava 9.500kz, agora está a ser vendida a 14.000kz. Com o kg de feijão a rondar os 750 e o arroz a 600 kzs, e com os salários baixos que a maioria dos angolanos aufere, e se a isso tudo associarmos os salários que a transam, o quadro pode ser ainda mais tenebroso.
Aquelas famílias que já passavam mal com os anteriores preços estão desesperadas e vêm o futuro com insegurança.
Antónia Celeste, vendedora do mercado da Estalagem, apelou ao executivo no sentido de rever a situação económica do país, porque o povo está a sofrer muito.
"Se em um mês, a situação é essa, daqui a mais três meses teremos muitas mortes por fome", Vaticinou Suzana de Carvalho.
ANIESA atenta aperta o cerco
A direcção geral da Autoridade Nacional de Inspecção Económica e Segurança Alimentar (ANIESA) alertou recentemente que vai tomar medidas severas contra os comerciantes que nos últimos dias têm de forma abusiva subido o preço dos produtos da cesta básica.
Está informação foi avançada pelo Inspector-geral da ANIESA, Diógenes de Oliveira, numa entrevista concedida à Rádio Nacional, no espaço ANIESA, frisando que o alto preço nos mercados internacionais não pode servir de mecanismo para o aumento descontrolado dos produtos alimentares no País.
Estes negociantes terão o tratamento devido, porque a ANIESA, diante de um cenário que desestabiliza os direitos dos consumidores, não fica quieta, acrescentou o inspector-geral da ANIESA.
Diógenes de Oliveira reconhece que por conta dos lucros que os negociantes devem obter com as vendas, há necessidade de se aumentar numa ligeira percentagem o preço dos produtos importados, que é diferente do preço original da compra.
E este processo calcula-se desde o transporte que vai carregar as coisas e os impostos a serem pagos, que, somando, dá o preço final do produto e que não pode ser exagerado.
O Inspector-geral da ANIESA revela que "existem alguns comerciantes que estão a aproveitar deste factor para explorarem os consumidores", avisou.







