Hospital dos Cajueiros: Continua o mau atendimento e descaso com pacientes, utentes exigem a intervenção da ministra da Saúde
Depois de o Na Mira do Crime ter denunciado a morte de uma paciente no Hospital dos Cajueiros, por negligência da equipe médica, sem que para isso o ministério que tutela a unidade hospitalar mexesse uma palha, regressamos outra vez, nesta quinta-feira, 29 ao mesmo local para aferir se houve alguma mudança na forma de atendimento dos enfermeiros.
Por: Luís Manassa e Justina Sambeu (Estagiários)
No passeio do hospital, parte de fora, onde estão perfilados os familiares dos doentes internados, às reclamações são ouvidas sem que para isso se faça alguma pergunta.
Fabrício João, explicou ao Na Mira do crime que tem a mulher internada no Bloco Operatório há cerca de três dias.
"A minha esposa foi operada e está no andar onde fica o Bloco Operatório, ontem os médicos não me deixavam ver a minha mulher, mas há lá um enfermeiro de nome Francisco, que só para me deixar ver a minha esposa estava a me cobrar 1000 kwanzas”, denunciou, sublinhando que, por não ter os valores, foi retirado do hospital.
“Me tirou porque não lhe dei o dinheiro, tive ir pedir 600 kwanzas à minha sogra para entregar e assim puder ver a minha mulher”, lamentou, reforçando que os médicos e enfermeiros não sabem atender os pacientes e visitantes. “Este hospital precisa de inspecção urgente”, exigiu.
Na área da marcação de consultas, observamos um fraco atendimento, enquanto às pessoas aguardam pela sua vez, duas jovens enfermeiras sentadas em duas cadeiras e numa mesa onde dividiam aquilo que seria o trabalho diário, colocavam a conversa em dia, num vergonhoso abandono aos pacientes.
Anastácia foi acompanhar um familiar, ouvida pela nossa equipa, reprovou a forma como os seguranças tratam as pessoas.
“Não têm maneira de se dirigir aos pacientes e visitantes, os seguranças deste hospital empurram, respondem sem maneira, nem ligam se é mais velha deles ou não, muitas de nós estamos na idade de ser mãe deles”, contestou, reforçando que, para ser bem atendida, tem que desembolsar entre 400 e 200 kwanzas.
Na medicina, a doutora mais contestada é a senhora Luviane Silva da área de Medicina Geral, para os utentes, a falta de afecto e sensibilidade é característico desta profissional de saúde.
“Atende um paciente em cada três hora, até o final do dia atende uns três ou 4 pacientes e depois vai embora, e tem ainda outras médicas que ficam nas salas a ver novelas, até já estamos nos acostumar com está situação”.
A área de Oftamologia, para os pacientes, é quase nula. Aí está o Doutor Isaías. Segundo contam, é o único doutor de Oftalmologia.
“Quando marcamos consulta, para sermos atendidos demora muito, passa meses, o atendimento é mesmo muito fraco, é até cansativo para nós, às vezes atende quatro ou três pessoas e vai se embora, só neste momento, por exemplo, nos informaram que o Dr. Isaías vai viajar, deste jeito não é hoje nem amanhã que vão nos atender”, deploraram, apontando os centros situados nas zonas adjacentes ao hospital como sendo à única fuga possível.







