Alerta - Edifício em Viana pode desabar a qualquer momento, moradores pedem socorro
Os moradores do edifício de um andar, localizado na zona 10, arredores da Delegação Municipal da Saúde de Viana, município de Viana, que está prestes a desabar, clamam por socorro às autoridades, pelo facto da estrutura estar constantemente a mexer.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com moradores, em Abril do ano em curso, aquando da última chuva, o edifício mexeu-se de uma forma muito forte, isso fez com que todos abandonassem o local, mas como já não tinham opção tiveram que regressar.
A reportagem deste jornal esteve, na manhã desta segunda-feira, na zona 10, e ouviu o clamor dos populares que choram de medo de, um dia, serem surpreendidos pelo desabamento do edifício. Cerca de 64 famílias vivem no edifício há mais de 30 anos, em condições desumanas, desde 1992, ano em que foram forçadas a abandonar as suas terras por causa da guerra fratricida que assolou o país. O edifício apresenta muitas fissuras logo à entrada.
No interior a coisa é ainda mais constrangedora. Não há segurança dentro do edifício e há vários compartimentos feitos de chapa de zinco e muitas perfurações nas paredes.
Para além do lixo que faz morada no edifício, também não há casas de banho, e as necessidades são feitas em sacos plásticos e atirados nos contentores ou para as lixeiras.
"Os residentes contam que, sempre que há ventania, o edifício treme", contou a anciã Eva Pascoal Miguel, de 69 anos de idade, referindo que quando chove têm que abandonar o edifício.
“É triste, esse prédio mexe muito, basta chover, nós temos que sair e aguardar até a chuva terminar, para regressarmos às nossas casas”, contou.
Inácio César, de 42 anos de idade, que chegou ao edifício quando tinha os seus 11 anos de idade, não consegue acreditar o que está a se passar.
“Às vezes, não acredito que já estou neste edifício há 30 anos, muitas promessas já nos fizeram, mas até ao momento nada”, disse.
Já Isabel Raquel, de 61 anos de idade, conta com lágrimas o momento que, por sorte, não perdeu o seu filho, João Manuel, por este ter-se jogado do edifício.
“Em Abril, na última chuva, o prédio mexeu e o meu filho, Emanuel João atirou-se do edifício até ao chão”, acrescentando que, “isso aconteceu porque a escada estava muito cheia, todos os moradores estavam a correr tentando sair do prédio, porque mexia muito e o meu filho achou por bem pular da janela e partiu as duas pernas”, concluiu.
Manifestação à vista
Agastados com promessas feitas pelas autoridades administrativas, 304 famílias que vivem no centro de refugiados em Viana ameaçam sair à rua caso o governo não as alojar em casas condignas.
A manifestação das famílias que estão concentradas nos desactivados campos de refugiados, na Zona 10, no município de Viana, será feita defronte a administração local, "se o governo não der as casas prometidas em 1992, quando fugiram da guerra nas suas províncias de origem.
O Na Mira do Crime verificou que no interior de algumas residências, as camas são divididas por uma cortina. Noutros casos, um quarto é repartido por duas famílias.







