“Mercado das Mulheres”: Chinês exige retirada imediata das vendedeiras
O novo proprietário do famoso “Mercado das Mulheres, um cidadão de nacionalidade chinesa, identificado apenas por Lino, começou na manhã de ontem, quinta-feira, 20, a retirar as senhoras que comercializavam naquele espaço, para começar obras de um novo empreendimento.
Por: Cambundo Caholua
Situado no distrito urbano do 11 de Novembro, município do Cazenga, o espaço era o local onde boa parte das jovens mulheres angolanas acorriam para compra de todo tipo e marca de roupas.
De acordo com as vendedeiras, tudo começou em Dezembro de 2022, quando os herdeiros do espaço, representados por Gilberto, o mais velho dos filhos do antigo proprietário, decidiu vender o espaço, uma vez que, contam, entre os irmãos não havia entendimento na repartição dos lucros.
Segundo as nossas entrevistadas, o antigo proprietário, identificado como Campos, já falecido, antes da sua morte havia contraído muitas dívidas, para além do número de filhos deixados, fruto de várias relações.
“Surgiram vários filhos, que em desavenças não sabiam se os lucros do mercado seriam para pagar os passivos do pai ou então teriam que repartir”, explicaram.
Contam que, como os lucros não chegava para repartir entre os irmãos, dada as dívidas do progenitor, os filhos decidiram vender o espaço ao cidadão chinês.
“Só em Janeiro deste ano, isto no dia 14, é quando nos apercebemos que o mercado havia sido vendido. Mas, assim que ficamos a saber, não discutimos porque são os donos que venderam”, contou Joaquina, vendedeira de roupas diversos.
As senhoras lhes foram dadas um tempo de permanência no local pelo novo proprietário, sendo que, dizem, para retirada total, tudo dependeria da conclusão de um novo espaço comercial onde seriam transferidas, nos arredores do Mercado do Asa Branca, e era da responsabilidade da Administração Municipal.
“Para a nossa surpresa, estamos a ser impedidas de vender hoje, sem a conclusão do outro mercado”, disse Francisca, proprietária de duas boutiques.
Por outro lado, as senhoras dizem que o novo mercado onde devem ser transferidas não possui às condições exigidas, como é o caso de casas de banho, processos para conservar mercadorias, bancadas de venda, assim como compartimentos de boutiques, conforme está o mercado das mulheres.
Nesta ordem de ideia, as senhoras pedem que lhes seja dado mais tempo, pelo menos até que o mercado onde serão transferidas as obras estejam concluídas.
Espaço não é da Administração
Diferente do que se cogita que seja o administrador municipal, Tomás Bica, a vender o referido, espaço, O Na Mira do Crime ouviu um membro do Gabinete de Comunicação e Imagem da Administração Municipal do Cazenga, que informou que o espaço não pertence a administração local.
“É uma propriedade privada, o actual proprietário deu cerca de 6 meses como prazo para todas as vendedeiras se retirarem do local e esse tempo terminou… o que sabemos é que o senhor precisa do local para outros projectos”, disse.
Por outro lado, o responsável avançou que, tão logo o espaço havia sido vendido pelo antigo proprietário, a administração, como gestora do município, arranjou um outro espaço para as senhoras venderem, “mas estas não aceitam ir para aquele lugar”.







