Fome, doenças e escassez de comida: O dilema de três cidadãos que recorrem ao lixo para sustentar as suas famílias
Lito António Francisco, Domingos Simão e João Adão de 31, 40 e 29 anos de idade, respectivamente, são alguns cidadãos, dentre vários nacionais, que recorrem aos contentores de lixo para poderem alimentar as famílias. A reportagem deste jornal flagrou-os na baixa de Luanda, próximo do término dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), vulgo Bungo, na Segunda-feira, 18, às 15h30.
Por: Kiamukula Kanuma
Cada um conta a sua história. Lito Francisco, por exemplo, disse que apanha comida no lixo há três anos. “Nos últimos dias, por causa da crise, venho todos os dias às 16 horas, e com esta comida alimento as minhas três irmãs, já que somos órfãos de pai e mãe desde muito cedo e não temos emprego", narrou, confessando que esta foi a solução encontrada para sobreviverem.
Ele contou que, no lixo, procura apanhar a comida que ainda não esteja muito estragada.
"É preciso chegar cedo, antes das 16 horas, para conseguir boa comida, tão logo as moças dos restaurantes próximos deitarem no lixo os restos”, observou, sublinhando que não tem sido tarefa fácil, já que, algumas vezes, desentendem-se quando a comida recolhida for pouca.
Já Domingos Simão come nos contentores de lixo há 20 anos por falta de apoio familiar.
"Sou provenientes da Província do Huambo, aqui não consegui a dinâmica da vida, quero muito regressar para o Huambo, mas não tenho recursos", disse, avançando que, às vezes, por comer no lixo, fica doente, mas Deus tem o curado.
Aliás, assevera, já não consegue dar conta se esta ou aquela comida está estragada.
"Quando tenho fome, venho até ao contentor de lixo e como o que encontrar. Às vezes, debato-me com transtornos intestinais, mas isso é normal, é uma limpeza", ironizou, deixando transparecer alguma debilidade.
O NA MIRA DO CRIME viu nos três cidadãos não só a necessidade de se alimentarem, mas também de serem alvos de um tratamento médico e medicamentoso.
Os nossos interlocutores residem nas imediações da antiga loja 7 (largo do ambiente), num local designado centro “Cumpô”.
Aí paira a lei do mais forte; existe de tudo um pouco: desde a prostituição, alcoolismo e drogas leves como a liamba.







