“Se a administração não nos ouvir, vamos incendiar a subestação eléctrica", ameaçam os donos das casas demolidas em Viana
Populares que viram as suas casas demolidas a 17 de Fevereiro deste ano, para o espaço dar lugar à construção de uma subestação eléctrica, depois de verem o seu grito de socorro respondido pelo silêncio, ameaçam incendiar o projecto se não forem ouvidos pela administração de Viana.
Por: Kiamukula Kanuma
De acordo com esses populares, o processo arrancou bem. As 115 famílias que viram as suas residências demolidas, no dia 17 de Fevereiro, no Zango III-B, pelo martelo da administração municipal de Viana, foram cadastradas, mas, de lá para cá, apenas 36 famílias foram realojadas.
No lugar onde as 115 famílias residiam vai ser construída uma subestação eléctrica.
O problema que estava a ser solucionado com alguma normalidade ficou manchado a partir do momento em que começaram a surgir informações, segundo as quais, havia esquemas promovidos pelos funcionários da administração de Viana.
Com as chuvas que se avizinham, temem por piores dias. Cerca de 79 famílias foram expulsas esta quarta-feira, 20, pelas 11 horas, do quintalão da subestação onde aguardavam pelo realojamento.
Simbana Afonso, vítima, contou que, no dia 17 de Fevereiro, partiram as residências sob pretexto de que o espaço foi projectado para a construção de uma subestação elétcrica.
"Fomos cadastrados e acolhidos no mesmo espaço com a finalidade de sermos realojados", descreveu.
Acrescentou que, passados sete meses, na terça-feira, apareceu Demétrio Sepúlveda, Administrador municipal de Viana com o seu elenco, que integrava o Delegado municipal da Polícia, contaram as cabanas, onde aguardavam pelo realojamento.
"Sem nos proferirem alguma palavra, retiraram-se", resumiu. Momentos depois, disse, foram surpreendidos pela presença do senhor Emiliano, Comandante da Polícia da Esquadra do Capapinha.
"Pediu-nos para conversarmos fora do quintal e na medida que foi chamando, entraríamos mediante a exibição do documento que confirma a nossa presença aqui no espaço", contou.
Afirmou que para o espanto de todos, o comandante sacou do bolso o seu telefone e chamou apenas sete famílias, tendo dito aos restantes para esperarem pela sua vez, e devolveu a documentação.
No entanto, não ficou por aí; disse que quem reclamasse levaria 'bicos' da polícia.
Apesar de ter feito o papel da administração, o Comandante Emiliano disse não ser da sua competência atender as inquietações dos populares.
A população afectada pelas demolições acusa a administração de viciar o processo de realojamento.
É o caso de uma jovem que foi peremptória em prometer que se verem os seus problemas resolvidos vão "incendiar a subestação".
" Vamos começar já a reunir pneus e incendiar a subestação eléctrica pelo menos, assim, chamaremos a atenção do Governo", vincou.
Para eles, Demétrio Sepúlveda está a usar o Comandante Emiliano no sentido de, através do uso da força, encobrir os seus negócios inconfessos na distribuição de residências.







