Humilhação e falta de promoção no Grupo Castle terá levado funcionário sénior a cometer suicídio
Carlos de Oliveira Paulo, carinhosamente tratado por Carlitos, de 40 anos de idade, operador de linha (máquina) há 15 anos na empresa Grupo Castle, terá cometido suicídio (por enforcamento), na tarde de segunda-feira, 06, no interior da fábrica de gasosa Pepsi, localizada na comuna da Funda, município de Cacuaco.
Por: Kiamukula Kanuma
Lídia Helena Pedro de Oliveira, esposa do malogrado, em exclusivo ao Na Mira do Crime, disse que tomou conhecimento do passamento físico do esposo, por volta das 16horas de segunda-feira, por intermédio de um telefonema de um colega do malogrado.
“O meu marido vivia com ânimo baixo, por descontentamento com a direcção da empresa que o tinha como funcionário imprescindível, que pagava um salário que não dignificava com as funções que ele exercia durante 15 anos”, lamentou, apontando ser esta uma das razões do suposto suicídio.
“Como pode ver”, apontou para uma parede “ele tinha mais de cinco diplomas”.
Segundo a mulher, o malogrado esteve em casa durante uma semana, por conta de um acidente de trabalho. “Ele teve que desligar o telefone de tantos telefonemas vindos da empresa para retomar rapidamente o trabalho, no domingos, por volta, das 20horas, recebeu um telefonema de um colega a solicitar-lhe orientações de como utilizar a máquina, o meu marido prometeu ao colega que retornaria à empresa na segunda-feira, e foi a última vez que o vi com vida”, chorou.
A esposa diz que Carlitos era o garante do sustento, “vivemos em casa que não é nossa, porque recentemente (Abril), quando o meu marido saía de casa, por volta das 5h30 minutos, foi sequestrado por pessoas desconhecidas, quando se dirigia ao trabalho”, denunciou, continuando que, o jovem foi Levado até a zona do Km 30, em Viana, num matagal, onde ficou refém por três dias.
A esposa conta que o marido, depois de ser liberado, contou apenas que os bandidos diziam que ele tinha que colaborar. “A partir daí passou a viver em depressão, o sequestro levou-nos a trocar de residência”.
A viúva tem quatro filhos, entre estes um recém-nascido de apenas 16 dias. Faz alguns biscates em residências e, agora faz as contas como irá sustentar a família.
Malogrado deixa carta
Victorino Paulo, irmão do malogrado, em conversa com este jornal, disse que a família está abalada com o sucedido.
“Estamos abalados com a triste notícia da morte do Carlos, há muito que ele reclamava das péssimas condições que o Grupo Castle submete os seus trabalhadores, a comissão sindical é apenas um figurino onde ele fazia parte, acreditamos que, em função das revindicações dele foi silenciado e, nisso podemos ler na carta que o malogrado deixou”, lamentou.
Na carta deixada, Carlos pede perdão ao Noé, que sempre acompanhou os seus problemas, mas adianta, que a morte é o caminho para todos. O mal é adiantar!!
“É muita injustiça no serviço onde dei tudo de mim neste Grupo Castle, que seja de lição para a gerência do Grupo Castle”, sentenciou.
Ainda assim, a família quer que o SIC toma a investigação com seriedade, para aferir se de facto estamos perante um caso de suicídio ou homicídio.
O Na Mira do Crime sabe que, na certidão de óbito, a causa atesta morte por asfixia mecânica.
O malogrado vai a enterrar nesta sexta-feira, 10, às 10 horas, num cemitério a definir.
Carlitos deixa viúva e quatro filhos.
Silêncio no Grupo Castle
O Na Mira do Crime, para o contraditório, contactou, nesta quarta-feira, 8, a direcção do Grupo Castle e fomos atendidos por um membro de direcção que não quis ser identificado. Porém, disse que a empresa que representa é muito limitada a informações.







