Paciente com tumor acusa Instituto Nacional de Controlo do Câncer de não prestar devida atenção
Uma jovem que responde pelo nome Lourdes Fernando Mussalita Troço, de 18 anos de idade, está a padecer de um tumor ósseo na perna esquerda e precisa de ser amputada rapidamente. Por isso, foi evacuada do Lobito para o Instituto Nacional do Controlo do Câncer, em Luanda, por falta de material para a realização da cirurgia no Lobito.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A jovem, que falou ao Na Mira do Crime, contou que está há quase sete meses em Luanda, e até ao momento, o corpo clínico da referida unidade hospitalar apenas se pauta na realização de exames clínicos.
"Estive no Hospital do Lobito, os médicos disseram que eu precisava de ser amputada a perna o mais rápido possível, e por falta de material fui transferida para Luanda, mas até agora não conseguem dar solução à minha situação, e o tumor está cada vez mais a piorar", contou.
Após várias observações clínicas, no dia 14 de Julho, sob orientação de um médico identificado apenas por Dr. Ndala, a cirurgia ficou marcada para o mês de Agosto, mas não se efectivou, porque o médico estava em gozo de férias, tendo sido adiada para Outubro", afirmou.
Tal como previsto, em Outubro, Lurdes voltou a ter um encontro com o médico que estava de férias, e lhe foi orientada a realização de outras análises clínicas antes de entrar na sala de cirurgia, até que, no dia 10 de Novembro, recebeu a informação que dava conta que todos os exames que havia feito foram invalidados pelo médico.
"O médico disse que os exames que havia feito foram feitos quando eu era menor de idade; eram para a pediatria, agora que estou com 18 anos de idade tenho que refazer todos os exames", salientou, considerando essas voltas, um mau sinal, porque não sabem o sofrimento por que passa.
Júlia Troço, irmã da paciente, disse a este Jornal que o seu estado não é agradável, pois sofre de fortes dores que a fazem perder sono.
"A família encontra-se sem condições financeiras para deslocações às consultas, e a falta de alimentação constitui um outro problema", apontou, salientando que ela vive traumatizada.
O que pedem, agora, é que o hospital diga realmente o que está na base de tantos adiamentos.
Enquanto não se efectiva as cirurgias, a família pede ajuda financeira para ajudar nos custos diários.
No dia 01 de Dezembro, a paciente voltou ao Centro Oncológico, onde com o registo do processo número 5374, foi-lhe orientada a realização de mais análise clínicas.
"Estou a pedir encarecidamente a todos que me ajudem na amputação da minha perna, são análises atrás de análises; à Ministra da Saúde, senhora Sílvia Lutukuta, eu peço a sua intervenção para que eu volte a estudar e a não depender das pessoas, porque, conforme estou, até para ir à casa de banho preciso de ajuda", implorou.
Lourdes Fernando encontrava-se a frequentar a décima classe, no curso de análises clínicas, no Lobito, e teve que abandonar a escola por conta da enfermidade.
Ela aguarda pela cirurgia, desde Julho, no bairro Paraíso, rua do Campo do Petro, município de Cacuaco.







