"Nené Diabo", "Papy" e "Bila Bongue", entre outros marginais bem identificados, infernizam a vida de zungueiras e roboteiros em Viana
Várias zungueiras e roboteiros, nos últimos dias, queixam-se das cobranças ilegais efectuadas por alguns jovens que se fazem passar por lavadores de carros e/ou lotadores de táxi, no município de Viana.
Por: Cambundo Caholua
O Na Mira do Crime fez uma ronda pelos arredores de Viana, no intuito de seguir milimetricamente o dia-a-dia de zungueiras e roboteiros que, com muito sacrifício conseguem alguma coisa para o sustento das suas famílias, mas têm sido vítimas de marginais que lhes subtraem o pouco que obtêm.
Nomes como: "Papy", "Bila Bongue" e "Nené Diabo", este último é o mais temível, são os que têm infernizado a vida de algumas zungueiras e roboteiros, perturbando as suas actividades pacatas, como referem as vítimas.
Em conversa com algumas zungueiras, propriamente nas ruas Comandante Valódia e Saidy Vieira Dias Mingas, na Vila de Viana, as mesmas alegam que alguns marginais fingem ser lotadores de táxi, ao passo que outros simulam lavar carros.
Diante das enormes dificuldades que as mesmas enfrentam, primeiro, para conseguirem dinheiro para adquirir o seu negócio e depois “zungar”, ou seja, calcorrear as ruas, faça sol ou faça chuva, com fome e sede, apregoando os produtos para conseguir um pequeno ganho, que depois acaba por ser levado pelos marginais.
Caso resistam às exigências ou não se submetam aos desígnios banditescos, correm o risco de verem os seus negócios roubados e até sofrerem agressões físicas.
No momento em que a equipa de reportagem se desdobrava na sua observação, foi possível notar a presença de alguns dos tais marginais a perturbarem uma zungueira que vendia gajajas uma fruta muito apreciada.
"Pedem dinheiro, nunca compram nada, só tiram as frutas e vão embora, o mais irritante é o ‘Nené Diabo’", disse uma zungueira que está bastante desesperada com a situação.
"Faço venda de gajajas, eles nunca têm dinheiro, chegam na minha banheira e das outras colegas e tiram as frutas e se reclamarmos é problema", disse uma zungueira que não quis ser identificada.
Já a dona Sónia, que vende abacate, disse que nunca sofreu isso, mas as colegas dela que vendem gajaja são as mais visadas: "nunca me pediram nada, graças a Deus, mas as outras manas são azaradas", referiu.
Quanto aos jovens roboteiros, que na sua maioria são provenientes da região Sul de Angola, que diariamente ganham o seu pão carregando mercadorias com um carro de mão, dizem que têm sido ameaçados de várias formas para pagarem entre 100 a 200 Kwanzas aos marginais, para além da taxa que têm que pagar no local onde fazem o descarregamento.
"Eu ando com carro de mão, já sofro bastante pelo peso que carrego, infelizmente, ainda tenho que pagar aos bandidos para trabalhar à vontade", disse um roboteiro.
"Nós não entedemos isso, basta colocar uma mercadoria de um cliente no carro de mão, primeiro vem o homem da fixa cobrar 100 Kwanzas, isso até não discutimos. O que nos deixa chateados é que depois de sair para descarregar, os marginais controlam e pedem também 200 kwanzas", lamentou, acrescentado que durante o dia pode-se pagar entre 600 a 1000 kwanzas aos marginais o que tem sido muito prejudicial.
"Sabemos que a polícia não tem como controlar toda essa situação, até porque os mesmos bandidos são bem conhecidos, podem bem prendê-los para prevenir os outros, mas não se vê nada", elucidou Luciano que trabalha com carro de mão.











