Patrulhas não têm combustível - Marginais fortemente armados ‘desalojam’ Polícia e intensificam assassinatos no 11 de Novembro
Ruas 11 e Cabina Roubada, do bairro Rei Mandume, Distrito Urbano do 11 de Novembro, município de Talatona, têm sidos palco de assassinatos e assaltos à mão armada, deixando a população aflita e sem rumo para tomar.
Por: Cambuta Vieira
O grito de socorro vem dos moradores que clamam dia e noite ajuda das autoridades no sentido de se minimizar o clima de tensão prevalecente na zona, acirrado com o elevado número de corpos humanos encontrados ao relento.
Antónia de Jesus, moradora do bairro disse que os seus filhos são menores, mas já começam a lidar com corpos de seres humanos, o que é, a todos os níveis, reprovável.
“Nós, como encarregados, não conseguimos fazer nada, porque ainda que evitemos agora, horas depois ou dia, na ausência dos pais, mais um cenário idêntico se desenha”, disse.
"Muitas vezes, nós só ouvimos os tiros”, contou, apontando como exemplo, os jovens que foram assassinados no fim do mês de Fevereiro.
“Ouvimos primeiro uma discussão, por volta das 22 horas e 30 minutos, na rua 11. Não nos preocupamos, porque pensamos que era uma coisa normal, mas, de repente, ouvimos tantos tiros, deixando-nos espantados”, afirmou.
E, no dia seguinte, recordou, viram dois corpos de jovens estendidos na rua. Disse ainda que a maioria das vítimas é levada de outros bairros para a rua 11, também conhecida como “rua do matador”.
O número de obras abandonadas é apontado como um dos factores que muito contribui para que esses marginais, depois de usarem estupefacientes, ganhem força e coragem para fazerem o que bem entenderem.
Outro problema que os moradores apontam é a falta de patrulhamento policial. "Nós aqui só vemos polícia uma vez ou outra; quando há uma situação, vamos à esquadra das casas azuis, mas os efectivos nunca estão disponíveis, pois alegam falta de combustível para a viatura que tem ajudado no patrulhamento”, revelam.
Outro morador que não quis ser identificado, disse que no passado dia 21 de Janeiro, um grupo composto por mais de 08 elementos, munidos de 2 armas de fogo do tipo AKM, 02 pistolas, 02 catanas, paus, pedras e blocos, introduziram-se na residência do senhor Walter André, de 66 anos, e exigiram somas avultadas de dinheiro, uma vez que o mesmo é comerciante.
Levaram consigo 900.000.00, um Iphone e outras marcas de telefones e 03 teclados de computadores.
Na mesma acção, Maria André, de 27 anos foi baleada com 02 tiros no pé, o dono de casa foi atingido no joelho, e Mbiavanga Makulokoki, de 25 anos, viu a munição raspar-lhe o braço.
"Antes de se retirarem do quintal, os mesmos discutiam, alguns dizendo que não era para ser assim, porque eles pensavam que em função dos disparos e hemorragia, haviam matado alguém", contou Maria.
O pastor Serafim Afonso Matamba foi outro cidadão que sofreu um assalto no passado mês de Fevereiro, em sua residência de onde levaram tudo o que estava na cozinha de fora.
"Nós ouvimos o barulho, mas não podíamos fazer nada, porque esses indivíduos andam todos armados”, assegurou.
No passado dia 08 de Março, um grupo composto por 07 elementos, 04 munidos de duas pistolas e armas do tipo AKM, 03 munidos de uma catana, e paus, fizeram um arrastão que culminou com a morte do senhor Nsimba.
Não satisfeitos, foram até à casa da senhora Helena Batumona, de 52 anos de idade, onde arrancaram o gradeamento e introduziram-se na casa, onde conseguiram levar um valor acima de 250.000.00, uma garrafa de whisky, anel de noivado de prata, 5 telefones de marcas diversas e uma peruca.
"O gatuno ainda usou a minha peruca e começou a dançar em frente de mim e dos meus filhos”, lamentou Helena que considera que o bairro, onde se registava acalmia, hoje se transformou num “centro de fuzilamento”.











