Nas barbas da polícia - Marginais tomam de assalto paragem do "Tio Show" e o bairro Capalanga em Viana
Em Viana, os meliantes assumem as rédeas de alguns bairros com um aparente olhar indiferente da polícia que, com todas as evidências à vista, oferece um "faz de contas", segundo moradores do Bairro Capalanga e transeuntes da paragem do "Tio Show", em Viana.
Por: Solange Figueira e Jurema Cambinda
De acordo com os moradores e pedestres que vivem e/ou circulam pelos bairros e paragem do "Tio Show", a falta de segurança e o alto índice de criminalidade aumentaram assustadoramente deixando-os com medo de perderem as suas vidas. Por isso, decidiram lançar um grito de socorro para que as autoridades competentes solucionem o problema que os aflige há muitos anos.
Dizem que a criminalidade, no bairro do Capalanga, junto a cadeia dos estrangeiros, é muito elevada e faz tempo que pedem socorro, mas sem solução.
"A polícia tem conhecimento de todas as ocorrências, mormente roubos e assaltos na via pública e em residências, mas a reacção tem sido fraca e, nalguns casos, inexistente", sublinhou um morador que acrescenta que tais marginais, durante o período diurno, agem como "lotadores de taxi", propriamente na paragem do "Tio Show", mas de noite, roubam tudo e todos.
De acordo com Miguel Correia, os grupos que actuam no bairro e nas paragens eram numerosos, mas nos últimos tempos, decidiram unir-se e formar apenas dois grupos com vários elementos, dentre os quais crianças devidamente treinadas.
"Até somos assaltados por crianças; já não sabemos o que fazer, porque estamos cá no bairro atirados à nossa sorte, enquanto o nível de criminalidade aumenta", queixou-se, para depois pedir socorro de quem tem a responsabilidade de manter a ordem e tranquilidade publicas.
Espécie de Ucrânia e Rússia
Afinal, para além de alguns grupos terem se aglutinado para ganharem maior acutilância, outros como são os casos dos " Tetete e os Caveiras", consideram-se mais rivais do que se imagina: são uma espécie de Rússia e Ucrânia.
"Aqui, o lado do Tio Show é considerado Rússia; e este lado do Capalanga é considerado Ucrânia. As lutas entre ambos os grupos, quase sempre, terminam em morte", relatou uma testemunha.
Dona Carla, vendedora, conta que o nível alto de criminalidade tem a ver também com as questões sociais. " Aqui regista-se um índice elevado de pessoas que não têm emprego, tudo por falta de oportunidades, há ruas que não têm luz nem água. E a letargia da polícia permite especulações de estar em conluio com os marginais.
Agostinho dos Santos, moto-taxista, conta que as horas mais críticas são das 17 em diante. "Neste período, já não se consegue passar na entrada do Piaget sem que sejas assaltado", disse o jovem que antevê um cenário sombrio quando as aulas iniciarem.











