No Sambizanga - Jovem torturado até à morte por familiares por furtar carteira onde continha 21 mil kwanzas
Fidel Alfredo Paposseco, de 22 anos de idade, residente na rua do chafariz, bairro da Lixeira, Distrito Urbano do Sambizanga, município de Luanda, foi morto à porrada pela prima e cunhado, depois de furtar uma carteira contendo dinheiro.
Por: Cambuta Vieira
De acordo com a mãe, o seu filho, na companhia de um amigo, estavam a consumir caipirinha e depois de acabar, decidiram ir comprar mais. "Postos no local da venda, o jovem que atendia esqueceu a carteira no quintal e o meu filho decidiu leva-la", contou Conceição Francisco.
Acrescentou que depois do jovem dar conta do desaparecimento da carteira, explicou aos seus tios, que se aperceberam que o Fidel e Keip eram os últimos clientes a entrar no quintal.
"Pelo facto dos proprietários da casa serem familiares, pensamos que teriam uma forma de abordagem mais educada e menos agressiva", conjecturou, contando que o casal bateu o portão sem maneiras e com gritos.
"Na segunda-feira, 02 de Setembro, por volta das 05 horas, eles entraram em casa, e a Teté dizia em tom alto que o grau parentesco acabaria naquele dia", lembrou. O marido da Teté, munido de uma mangueira de gás, chamou pela vítima e bateu nela com a mangueira na cara, provocando sangramento.
"Eu implorei tanto para não fazem isso. O meu filho deu a carteira, com 21 mil Kwanzas que o meu filho disse ter encontrado", lembrou.
Entretanto, o casal agressor alegava que na carteira havia 40 mil Kwanzas. Entretanto, apesar da mãe da vítima ter prometido devolver a diferença correspondente a 19 mil, o casal decidiu levar o jovem, na companhia do seu amigo, mantendo-lhes em cárcere privado.
"Por volta das 11 horas, a minha filha veio me chamar, dizendo que o Fidel está morto", informou, considerando triste essa a atitude dos agressores.
"Ele estava estendido no chão, os dedos todos inflamados, corria sangue nos ouvidos e nariz, os testículos foram rebentados, o pénis inflamado, as costelas todas partidas ao meio", constatou.
Francisco Alfredo Paposseco, irmão do malogrado, contou que antes de ser levado teve uma conversa com o irmão e confessou que tinha levado a carteira por engano.
"Por sermos familiares, pensamos a repreensão seria outra e não a morte ", vaticinou.
"Eles pegaram no meu irmão, lhe amarraram com as pernas no ar, cabeça para baixo, mãos amarradas para trás, usaram objectos contundentes para agredi-lo, como martelo, catana, paus, alicate, mangueira de gás, pá, ferros e correrias".
"Para além do casal, participaram da agressão os cidadãos Farofa, Kubanza, Mano Elias (este que bateu com martelo da cabeça), Eliote, Luizinho, Santinho e um sobrinho cujo nome não foi revelado", desvendou.
" eles apertavam o pénis do meu irmão com alicate, os dedos e a boca"
Depois deles darem conta que um deles morreu, decidiram lhes largar e arrasta-los até ao campo para dizerem que é o povo.
" não existe nenhum passaporte, são apenas certificado e ficha de inscrição da escola de condução, que está todo intacto, o meu irmão não foi roubar, ele foi tirado de casa" Kubanza e o sobrinho já estão a contas com a justiça.
De recordar que Tete e Elias são casal e primos do malogrado, o sobrevivente identificado por Keip, encontrasse hospitalizado na Maria Pia.
A equipa deste jornal procurou ouvir a polícia, este garantiu pronunciar-se nos próximos dias.











