Roubaram a patrulha: Criminalidade aumenta no bairro Paraíso depois da mudança de Governador
A mudança de Governador da Província de Luanda teve repercussões imediatas no aumento da criminalidade no bairro Paraíso, município de Cacuaco, onde o actual Ministro do Interior, Manuel Homem, na altura governador, efectuava vistas constantes e chegou mesmo a oferecer uma viatura para reforçar a patrulha policial. Hoje, não se vê nem a viatura nem a polícia a circularem, situação que dá lugar aos marginais.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os moradores do bairro Paraiso, Distrito Urbano dos Mulenvos de baixo, manifestam-se preocupados com regresso da criminalidade naquela circunscrição do município do Cacuaco, um fenómeno que já tinha reduzido na sequência de vistas constantes do ex-governador de Luanda, Manuel Homem.
Os munícipes, que falaram em exclusivo ao Na Mira do Crime, dizem que o regresso da criminalidade, sobretudo as lutas entre grupos de marginais rivais, roubo de cabos eléctricos, assaltos à mão armada às residências e na via pública, fazem parte das acções diárias dos marginais, tal com descreve Maria do Céu.
"Os cabos dos postes de iluminação pública foram todos saqueados, as ruas voltaram às escuras, os bandidos assaltam os transeuntes na ponte do Paraíso e na ponte partida do PUNIV, na zona dos Canambuas, assim como outros locais que não me lembro de momento", mencionou, acrescentando que momentos há que os bandidos chegam a desafiar as forças da ordem.
"Quando há brigas nas feiras ou entre grupos rivais, a polícia não se atreve a enfrentar", disse, avançando que nos meados do mês de Novembro, os rapazes do lado do Augusto Ngangula (Kicolo), criaram um grande tumulto na ponte do Paraiso, e os agentes do posto pokicial ao lado tentaram colocar ordem, mas foram corridos com perdras, garrafas e ferros; aquilo foi que nem um filme de comédia", contou.
Uma senhora, moradora da rua dos Canambuas, cuja residência foi alvo de assalto na passada quarta-feira, dia 27 de Novembro, contou em exclusívo ao Na Mira do Crime que, após terem assaltado duas casas disseram que o Paraíso agora está "fofo".
"Arrombaram a porta do quarto com ajuda de uma botija, retiraram a roupa, os calçados e outros pertences e, posteriormente, começaram a arrombar a janela e a porta da casa principal, com ameaças de morte.
Acrescentando que, temendo pela vida do filho, que já se encontrava sob controle dos marginais, não teve outra escolha, apenas abriu a porta. "Foi um terror, pois tão logo entraram, exigiram dinheiro, e disse-lhes que não tinha, mesmo assim romperam a porta do meu quarto com um ferro", narrou, referindo que zangados por não encontrarem nada de valor, apontaram as armas às minhas filhas, exigindo que dessem os telefones, já que não tinham, ameaçaram-nas de morte, então tive que dar os 20 mil Kwanzas da venda de peixe", contou.
A senhora avançou que os marginais, mascarados e munidos de arma de fogo, executaram o assalto sem precipitação, tendo ainda se deleitado com o resto do jantar deixado na cozinha.
"Levaram a botija, o dinheiro e o peixe do negócio, mas antes de sair comeram ainda a comida que estava na cozinha. Ficaram por muito tempo, a exigir que eu os mostrasse, onde havia escondido a TV Plasma, e eu respondi que havia vendido para o sustento dos miúdos, foi um momento muito difícil, principalmente quando fizeram disparos antes de se retirarem do quintal", lembrou.
Em acto contínuo, os marginais dirigiram-se à outra residência e, pelos mesmos modos, conseguiram introduziram-se no interior do quintal e, posteriormente, na residência. Durante o assalto, disse a filha da proprietária, a progenitora rasgaram-lhe a boca, depois de lhe terem arremessado uma cadeira, quando suplicava que a sua neta de 11 anos não fosse levada. Na ocasião, chegou a perder os sentidos.
"Depois deles terem entrado, exigiram dinheiro, a minha mãe deu, não consigo dizer quanto, tiraram o televisor, a botija e outros artigos, mas ainda queriam levar uma menina de 11 anos", contou a testemunha.
E a viatura oferecida?
Moradores questionam o destino dado à viatura que tinha sido dada pelo ex-governador, já que ajudava na mobilidade da polícia.
O Na Mira do Crime soube de fonte fidedigna da polícia local, que a viatura que tinha sido oferecida por Manuel Homem, sumiu sem deixar rasto, "o que tem dificultado a eficácia das manobras policiais, uma vez que o bairro Paraiso apresenta um território bastante extenso.
"A viatura de patrulhamento, sumiu; há quem diga que esteja no Sequele, outros dizem estar avariada", precisou, reiterando que a ausência daquele meio de transporte torna difícil o controle das ocorrências e a resposta, no momento, de casos de criminalidade. Aí da assim, assegurou que tudo está a ser feito para repor a segurança dos cidadãos da circunscrição.











