Marginais tomam de assalto ruas do bairro Antenov sob olhar cúmplice da polícia
A criminalidade, sobretudo lutas entre grupos de marginais e assaltos na via pública, são algumas das principais preocupações na zona do Antonov, município do Cazenga, onde os moradores acusam a inércia da polícia como sendo o principal motivo da "petulância" dos bandidos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os munícipes disseram ao Na Mira do Crime que a criminalidade está insuportável, e os crimes ocorrem em plena luz do dia e aos olhos das forças da ordem.
Mendes, nome fictício, revelou que os grupos "Farai" e os "Casos", são os que mais tiram sossego na zona.
Dizem que a rivalidade entre os grupos dura há mais de dois anos, e quando lutam, o bairro torna-se num verdadeiro campo de batalha.
"Há dois meses um dos integrantes do grupo Os Casos matou um dos Farai e, por sua vez os Farai mataram dois dos Casos", contou.
Acrescentou que o grupo "Os Casos" em retaliação passaram a agredir todos os moradores que residem na rua do seu grupo rival.
"Mataram um inocente, o Milton, porque no momento da luta ele foi inocentemente apanhado. Eles primeiro anunciam o encerramento dos portões e dos estabelecimentos comercias e passam mesmo com as catanas, ferros, garrafas e pedras em frente a Esquadra do Antenove", lamentou.
Relativamente a situação, o bairro encontra-se mais inseguro desde a última sexta-feira, dia 26, do mês e ano em curso.
Os referidos grupos de rixas intensificaram as lutas, impedindo a normal circulação de pessoas e bens.
"Passamos a sexta-feira e sábado em casa, ninguém conseguia pelo menos ir a cantina comprar alimentos, mais tarde as coisas voltaram ao normal, mas na noite de domingo o tumulto voltou, aqueles rapazes não temem ninguém, o melhor é ficar em casa", alertaram.
"Quando começam a lutar", explicaram, os que já se encontram em casa têm que ligar aos familiares avisando-os que o bairro está quente, para regressarem em casa.
FALTA DE CONFIANÇA NA POLÍCIA
Em conversa, alguns moradores demonstraram falta de confiança na polícia, e relataram que, quando são apresentadas as queixas não são devidamente tratadas, e os criminosos são presos e liberados horas depois, gerando a sensação de impunidade.
"Num outro dia, eles estavam a lutar e a receber os telemóveis de quem circulava na via pública, accionamos a polícia, apareceram tarde e conseguiram prender alguns. Infelizmente, em menos de três horas, foram soltos e ameaçaram de morte os que chamaram a polícia", explicou um morador.
Segundo os moradores, a impunidade criou o medo de denúncia no seio da população, e temem que ao apresentar queixas haja retaliação por parte dos criminosos.
"O Man Dany e o Funeral são altamente perigosos, são os que mais incentivam as lutas no bairro e fazem da Esquadra a casa deles, porque são detidos e horas depois soltos", denunciaram.
"Pedimos o especial favor a quem de direito a velar sobre a situação, porque não podemos viver oprimidos, temos medo de sermos atacados, feridos ou até mesmo perder a vida", alertaram.
Contactado pela nossa reportagem, o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Superintendente -chefe Nestor Goubel prometeu brevemente pronunciar-se sobre a situação.











