"Mó boneco" e "Julinho" lideram grupo de marginais que assaltam residências com "pó mágico" no bairro Hoji-ya-Henda
Duas residências foram assaltadas na madrugada de quarta-feira, 23, no bairro Candua, zona da Sical, município do Hoji-Ya-Henda. Os meliantes terão jogado pó no interior das residências, que levaram às pessoas num estado profundo de sonolência.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo os moradores, os assaltos ocorreram no mesmo dia em ruas e momentos diferentes.
O primeiro caso aconteceu na casa de uma senhora de 38 anos de idade, viúva, que reside com os filhos, sendo um rapaz menor de idade e a filha de 19 anos de idade, com parto recente.
A senhora (que não vai ser identificada), avançou a reportagem do Na Mira do Crime que terá despertado do sono ao ouvir passos na sala e no quarto onde se encontravam os filhos e a neta, recém nascida.
"Eu acordei, mas parecia que estava drogada, estava com muita tontura, o corpo estava pesado e tinha muita dor de cabeça mas eu conseguia ouvir passos de pessoas em casa", contou.
Acrescentou que, momentos depois, terá conseguido levantar-se e chegar até ao quatro dos filhos.
"Parecia tudo fusco, mesmo assim cheguei onde estavam os meus filhos e minha netinha. Estavam todos em sono profundo, sem forças de reagir, quando os tentava despertar, inclusive a bebê, parecia que tinham sido drogados".
Ao amanhecer, após terem recuperado os sentidos, aos poucos, aperceberam -se que tinham sido assaltados.
"Eles usaram um pó muito usado pelos bandidos para roubar e não serem detectados. Eu não conseguia reconhecer nada, estava tonta de sono e com dor de cabeça e assim que voltei ao normal, notei que até bebê também tinha sido afectada", contou a Irina.
A dona da casa disse que, com o auxílio dos vizinhos, desdobraram -se em buscas de informações ou a possível localização dos autores.
"Uma zungueira viu a aflição em que nos encontrávamos, em conversa, alertou-nos da presença de três jovens na outra rua a conversarem sobre a venda de telefones. Fomos para lá e nos deparamos com o Julinho, um marginal do bairro, só depois de descobrimos que ele fez parte do grupo dos bandidos que assaltaram a nossa casa, mas naquele momento já tinham levado as coisas noutra parte", explicou.
Os meliantes levaram da residência uma TV Plasma, dois IPhones 7 e 8 Plus, uma pasta com materiais escolares, um litro de óle e 150 mil kwanzas.
"O dinheiro estava entre os cadernos, a mãe havia dado para que eu guardasse", descobriu.
Alguns vizinhos segredaram aos lesados que os assaltos terão sido realizados por três indivíduos da zona, nomeadamente o Mó Boneco, o lider; o Julinho e um dos seus amigos que vive na zona do Catorze.
"Disseram-nos que viram o Mó Boneco a andar com a pasta da escola da Irina, a mãe dela foi a casa dos familiares dele, informaram-lhe que fugiu tão logo soube que estávamos a procura dele. Depois fomos a casa do Julinho, infelizmente os familiares discutiram connosco defendendo ele, inclusive rogaram-nos pragas", sublinhou.
O outro assalto, no mesmo dia, ocorreu por volta das 03 horas da manhã, numa residência localizada num quintal comum, em que foi alvo a residência de um jovem que pediu para não ser identificado por temer represálias.
Explicou que os bandidos terão escalado o muro do quinta, serraram os ferros do gradeamento da janela da cozinha, entraram e abriram a porta principal da casa.
"Eu nem escutei nada, eles foram à sala, espalharam tudo que estava nas gavetas da estante; tiraram o Plasma, foram ao meu quarto, sem que eu sentisse os movimentos deles. Um dos vizinhos que levantou aquelas horas viu a minha porta aberta e gritou, mas eu estava descoordenado", explicou.
"Levaram o plasma, computador portátil, telefone, roupa e, ainda por cima colocaram os cabides por cima do meu peito", sublinhou.
As vítimas apontam o "Mó Boneco", "Julinho" e um dos seus amigos residente na zona do Catorze, como sendo os principais suspeitas "O Mó Boneco foi visto na rua próximo a nossa casa, durante a nossa ronda, disseram-nos que ele estava a andar com uma pasta que, pelas características ditas indicam que seja a minha", desconfiou
Fontes do Comando Municipal do Hoji-ya-Henda garantiram que o assunto já é de domínio da esquadra e já trabalham para o esclarecimento dos crimes.











