O Debaila, Os Massa Branca, Os PHM e os PP - Grupos de marginais fortemente armados tomam Bairro Ponto 03 no Sequele por falta de esquadra policial
Marginais fortemente armados semeiam terror no bairro Ponto 03, município do Sequele, sob olhar indiferente da polícia que, de acordo com moradores, não aparece quanto mais a população precisa dela. A falta de energia eléctrica complementa o sofrimento de quem clama por segurança todos os dias
Por: Solange Figueira
O bairro Ponto 03 existe desde 1972, e tem como referência a famosa paragem 5M, rua do Sabadão. Hoje por hoje, enfrenta vários problemas sociais, como a falta de energia eléctrica, pública, de escolas, de hospitais, de bibliotecas, de centros recreativos e culturais. Para os populares obterem a energia eléctrica, têm de fazer um contrato de 80 mil Kwanzas, pagar mensalmente um valor de 6 mil kwanzas, e nem todos conseguem satisfazer essas exigências. Na via pública, existem postes de iluminação que não funcionam. Por essa razão, os marginais aproveitam essa falha para assaltar residências, moto-taxistas e pedestres a qualquer hora do dia.
Revoltados com a situação, contam que os meliantes andam constantemente munidos de armas brancas e armas de fogo do tipo AKM, para intimidá-los. A partir das 19 horas, nenhum morador pode passar pelas ruas do bairro. Efectivos da Esquadra policial do Comando Municipal do Sequele, dificilmente aparecem por ser distante. E se aparecem, só depois de tudo acontecer.
Para a minimizar o índice de criminalidade, os moradores decidiram criar uma associação, composta por mais de 13 elementos, denominada Serviço de Vigilância à Comunidade (SVC), que opera há um ano e tem como objectivo principal proteger a população das mãos dos marginais, levando os criminosos a serem detidos na esquadra.
Dona Joaquina diz que o Ponto 03 é uma terra sem lei. para além do índice de criminalidade elevado as mulheres fazem prostituição de ‘Kilape’. "Temos aqui uma fábrica de colchões de chineses. Não sei como os marginais sabem o dia em que os trabalhadores recebem os salários, ficam de atalaia para assaltá-los tão logo saiam do serviço.
Quando o assunto é a fome, muitas jovens envolvem-se sexualmente com os trabalhadores da fábrica e militares. Fazem um mútuo acordo que funciona da seguinte maneira: envolvem-se sexualmente várias vezes, apontam as contas num caderno e, no final do mês, quando os militares recebem o salário, é paga a conta. Passou a ser um ciclo vicioso.
Amilton Miguel, Coordenador do Ponto 03, conta que na semana passada, quase foi morto a tiro pelos meliantes. "Estava de pé à frente de uma cantina, quando um moto-taxista, que estava a ser perseguido pelos marginais, parou. Tentei acudir, um dos marginais manipulou a arma do tipo AKM, fez um tiro no meio das minhas pernas, por pouco me atingia; foi um milagre não me ter acertado”, narrou.
O coordenador disse que o bairro precisa de muita coisa. “A única escola comparticipada que temos está dentro da unidade militar, é das FAA. O hospital também está dentro da unidade, é delas. Por isso, lançamos o grito de socorro às autoridades para que minimizem o sofrimento dessa população", suplicou.











