Aumento da Criminalidade nos bairros Kangamba, Ilha Seca, Dira, Condomínio da Polícia e Bairro Tio Mingo preocupa moradores de Calumbo
O bairro Kangamba localiza-se no Zango 3, no município de Calumbo, província de Icolo e Bengo. Naquele bairro, está a famosa rua da Dira e a rua 2, situada por detrás do restaurante Lavi, conhecido também como Terraço. No mesmo bairro, está localizada a zona da Ilha Seca, onde está a rua da Padaria, isto no Zango 4.
O que estes bairros têm em comum, é o que leitores devem estar a se perguntar. E o Na Mira do Crime responde: o elevado índice de criminalidade.
Por: Solange Figueira
Os moradores das zonas acima mencionadas, reclamam do aumento da criminalidade, e dizem que os marginais assaltam a qualquer hora do dia, na via pública e em residências, em bares e cantinas comerciais.
No bairro Ilha Seca, os grupos de marginais que atormentam os moradores são os “Kizaka”, cujo líder tem o mesmo nome “Os TDG” e “Os Mais Leve”.
Moradores apontam o marginal Kizaka como o mais perigoso de todos, pois, dizem, assalta com arma de fogo.
Dito, morador do bairro, disse ao Na Mira do Crime que o marginal assalta livremente e como bem entende.
“As cantinas geridas por estrangeiros são o foco principal. Os bandidos aqui na Ilha Seca não têm medo de ninguém. Ao longo do dia fumam liamba, depois entram nas cantinas, ameaçam os donos e levam tudo o que querem sem pagar”, denunciou.
De acordo com os queixosos, mesmo com segurança no local, os bandidos não têm medo, porque sabem que os mesmos seguranças não têm arma de fogo.
“Nas residências assaltam de madrugada, vêem sempre com armas de fogo e mascarados. A esquadra que nos socorre é a Esquadra do SIAC, mas infelizmente a polícia chega sempre tarde e nunca prende os marginais”, lamentaram.
De acordo com Zeferino, comerciante, tem uma loja na Ilha Seca que vende bebidas a grosso.
“Já fui assaltado duas vezes, e o meu segurança foi ameaçado de morte. Os marginais actuam a partir das 18 horas em diante, aqui acontecem muitos crimes, porque as pessoas que vivem no lado da padaria são pessoas que vieram das favelas, pessoas com muita carência, há miúdos com muitas necessidades, isso faz com que eles roubem”, declarou, recordando que havia um menino de nome Jonatas, que foi morto pela polícia.
No Bairro Kangamba, os moradores alegam que os marginais são moto-taxistas.
"Os meliantes disfarçam-se de motoqueiros, estão sempre armados, vêem dois, um que conduz, o outro no reboque, a rua 5 é a mais perigosa, há uma farmácia onde no mês de Maio mataram o segurança com vários golpes de faca na região do abdómen”, lamentaram.
Os assaltos constantes ocorrem na via pública, e visam principalmente telemóveis.
“Eles interpelam qualquer pessoa que esteja a passar, sem medo, param com a motorizada e mostram a pistola. A solução que temos é entregar tudo, já fizemos várias participações na Esquadra do SIAC, mas infelizmente a polícia nada faz, estamos mal e não podemos viver assim para sempre, por isso pedimos socorro".
Na rua 2, que está atrás da rua da Dira, no Zango 3, os moradores querem que a denúncia chegue ao ministro do Interior, de forma a intervir directamente, porque dizem que os assaltos são constantes e muitas vezes fatais.
Miguel, morador, conta que vive na rua 2 há 10 anos e que a rua sempre foi muito calma e tranquila, apesar de estar atrás da rua da Dirá.
“Há quatro semanas o cenário mudou completamente. Tem aqui um bar que os moradores deram o nome de bar dos bandidos. Estamos a viver um verdadeiro filme de terror e temos sofrido uma onda de assaltos à mão armada que preocupam todos os moradores”, denunciou.
Disse que já fizeram várias denúncias à esquadra do Zango 4, no SIAC, nalgumas vezes houve intervenção e detenção, mas depois de três dias estavam todos os detidos soltos.
“Estamos há vários dias sem dormir, ficamos a vigiar as nossas casas à noite toda, fartos e agastados com esta situação. Os marginais que actuam aqui têm entre 14 e 22 anos de idade, o SIC e a Polícia têm conhecimento deste facto, até já parece que os marginais têm conluio ou colaboração com a polícia local”, acusaram.
“Pedimos a intervenção rápida das autoridades, não queremos tomar atitudes drásticas", alertaram.
No Complexo Residencial Oásis, conhecido também como Condomínio da Polícia, está situado na primeira paragem do Zango 3, lado B, depois da esplanada espaço K.
A zona é habitada desde 2013, com 186 casas, 90 por cento dos moradores são trabalhadores do Cofre de Providência do Ministério do Interior.
Porém, pelo facto de o condomínio não estar vedado, os marginais têm passe livre para assaltarem a qualquer hora do dia.
Moradores agastados reclamaram aos microfones do Na Mira do Crime sobre os roubos constantes em residências e na via pública.
“Há vários terrenos livres com matagais, os meliantes sentem-se à vontade para assaltar todos os dias a qualquer hora”, atirou dona Balbina, moradora do Complexo da Polícia, sublinhando que a sua casa já foi assaltada quatro vezes.
"Estamos desesperados, não sabemos o que fazer, das vezes que fui assaltada partiram a janela da cozinha, levaram a botija, tostadeira, liquidificador, impressora, batedeira, grades de gasosa e cerveja”.
De acordo com a senhora, o que mais lhes surpreende é que são assaltados de manhã e tarde.
“Da última vez que me assaltaram, o marginal veio às 12 horas. Eu estava a escamar o peixe na cozinha, saí com uma faca em mãos, e ele estava de pé à minha frente, ficou a olhar para mim e, de seguida, fugiu", recordou.
Dona Ritende, diz que os meliantes andam pelos muros das casas por serem baixos.
Acredita que os marginais que assaltam às residências fazem parte de uma quadrilha, formada por jovens que conhecem bem a zona.
"Na semana passada dois marginais, transportados por uma motorizada, pararam, mostraram a arma e assaltaram um pastor que estava com a sua esposa a sair da igreja. Na minha casa levaram as roupas do fio que estavam a secar, ferros do terraço, botijas de gás de cozinha e tentaram levar também o meu carro”, lamentou.
“Desconfiamos que são jovens que conhecem bem o bairro, mesmo sabendo que é um condomínio e que os habitantes são polícias, eles não têm medo”.
Dona Maria que durante um assalto no bairro, os bandidos levaram os telemóveis dos seus filhos que estavam sentados no portão. “Eram 18 horas, até hoje a polícia não prendeu ninguém”.
Já o Bairro Tio Mingo está depois do Condomínio da Polícia; o bairro está habitado há 20 anos e carrega consigo vários problemas sociais.
O que mais preocupa os moradores é a criminalidade. Em Janeiro deste ano, o Jornal Na Mira do Crime relatou situações sobre o elevado índice de criminalidade no Bairro Tio Mingo.
Esta é a segunda vez que a nossa equipa de reportagem recebe denúncias de tal facto naquela zona.
Moradores alegam que os assaltos e lutas entre grupos rivais aumentaram consideravelmente.
“Os grupos que continuam a aterrorizar a nossa zona são Os UGD, Os Choras, Os Lourenço, Os Pisa”, denunciaram.
O Coordenador do bairro, Tio Mingo, exige policiamento de proximidade.
"Desde Janeiro que o Jornal Na Mira do Crime esteve aqui, às coisas só pioraram, os grupos de rixas do bairro Floresta lutam com os grupos daqui, usam facas, catanas, lâminas e outros objectos, a delinquência neste bairro é de lamentar; todos os dias temos reclamações de assaltos”, pontuou.
O bairro, continuou, fica em pânico com a brutalidade e a pancadaria dos marginais.
“Temos muitas ruas escuras, os postes não acendem, dependemos da Esquadra do Capapinha que nunca prendeu nenhum marginal desde que começaram os roubos, nós, moradores, já agarramos oito marginais e os levamos para a Esquadra", sentenciou.











