"Pão com Pele”, “Bebo”, “Ti Terci” de “Mená” e “Dólar” 'sacodem' moradores da Maianga
A crescente onda de criminalidade tem deixado os moradores do município da Maianga em constante estado de alerta. Uma equipa deste jornal deslocou-se aos bairros do Codem, Calemba e Catinton, onde constatou relatos alarmantes de assaltos, furtos e denúncias contra a actuação da polícia local.
Por: Cambuta Vieira
No bairro Codem, por exemplo, defronte ao campo do clube 1 de Agosto, uma cidadã de 33 anos de idade, que preferiu manter o anonimato, explicou ter sido assaltada.
O crime ocorreu logo após ela estacionar a sua viatura, modelo Pajero de cor branca, quando foi surpreendida por dois indivíduos disfarçados de transeuntes.
Segundo a vítima, um dos suspeitos vestia calças creme e camisa branca, e o outro, uma t-shirt azul – este último teria entrado no carro e subtraído dois computadores (um MacBook de 13 polegadas, avaliado em 800.000 Kz, e um HP ProBook), além de periféricos, carregadores, um livro, um perfume e uma carteira da marca Porschet contendo 220.000 Kz.
á no bairro Calemba, especificamente nas ruas da Lama, da Antena e no Largo, os moradores denunciam constantes acções criminosas atribuídas a indivíduos identificados como "Careca", "Dobagu" e "Pai Tara", acompanhados de outros comparsas.
Na manhã da última quinta-feira 26, por volta das 6horas, o jovem Valdemar, conhecido como "Maestro", foi esfaqueado no pescoço quando se dirigia ao trabalho.
A vítima foi atendida no hospital Maria Pia, onde passou por cirurgia, os criminosos levaram quantias em dinheiro.
No dia 19, a cantina da senhora Aminata foi arrombada com uso de pé-de-cabra, os invasores subtraíram produtos da cesta básica e valores monetários.
Durante a reportagem, moradores apontaram o "Beco do Cubano" como ponto de refúgio de criminosos.
No local, uma mulher comercializa ovos cozidos, bebidas e substâncias ilícitas, como liamba.
Dona Paulele, residente há mais de 40 anos no bairro, declarou que os assaltos na via pública ocorrem com maior frequência durante a madrugada. Quanto aos assaltos à residências, disse que os casos diminuíram, mas o sentimento de insegurança persiste.
Ainda no mês de Maio, o delinquente conhecido como "Dobagu", juntamente com comparsas, invadiu uma residência e furtou diversos pertences, incluindo calçado e vestuário.
Moradores afirmam que a polícia local, ao invés de combater o crime, tem se aproveitado da situação.
“Os marginais são detidos e soltos com frequência, para eles, a esquadra da Madeira é como a casa da mãe Joana”, afirmou um residente, que preferiu não se identificar.
No bairro Catinton, a situação é igualmente crítica. As ruas 4, 68 e 68-A são apontadas como zonas de risco, especialmente durante a noite, moradores denunciam que, durante o dia, alguns meliantes fazem-se passar por trabalhadores do mercado local, mas à noite formam grupos para roubar pessoas que ali passam.
“Já não temos paz. Aqueles que vimos crescer aqui hoje são os mesmos que nos assaltam. É triste”, lamentou Papa Kibondololo.
O cidadão Mambuene disse que no dia 15 do mês em curso, por volta das 14horas, o seu sobrinho foi assaltado na rua 04.
“Roubaram-lhe o telemóvel e a carteira. Conseguimos recuperar o telefone, que já estava a ser vendido por outro meliante”, contou.
Outros moradores reclamam da falta de acção por parte da 19.ª Esquadra, que está localizada nas proximidades.
“A polícia está mais preocupada em pedir dinheiro aos taxistas do que em proteger a população”, disse um dos entrevistados.
De acordo com o cidadão Augusto, também foi vítima de assalto, revelando que os criminosos levaram uma botija de gás, uma televisão e outros bens.
“Mesmo com queixa formal, o meliante foi solto rapidamente e agora me ameaça de morte. A polícia tem conhecimento disso, mas nada faz”, declarou, visivelmente revoltado.
Na madrugada do dia 25, dois indivíduos conhecidos como "Dólar" e "Mená" invadiram uma residência, furtaram uma televisão e ameaçaram uma testemunha com uma chave de fenda.
O caso foi levado à 19.ª Esquadra, onde, segundo uma fonte, um agente afirmou que “esses já estão na mira”.
Um técnico de rádio, que pediu anonimato, contou ter sido assaltado por “Mená”, “Dólar” e outros, armados com uma AKM de cano serrado e uma catana. “Aqui, quem denuncia corre riscos.
"Quando os bandidos saem da prisão, voltam a ameaçar as vítimas”, afirmou.
“Mená”, conhecido por sofrer de tuberculose, costuma actuar no mercado, furtando produtos das vendedoras para posteriormente revender.
Até mesmo a Igreja Bom Deus foi alvo de criminosos, tendo sido assaltada três vezes. O pastor e membros da denominação religiosa também já foram vítimas.
Segundo um dos responsáveis, os equipamentos de som foram furtados, mas parte deles foi recuperada após serem encontrados numa vala entre o Kilamba Kiaxi e a Maianga.
Os principais delinquentes que actuam no bairro Catinton são identificados como “Pão com Pele”, “Bebo”, “Ti Terci” (um indivíduo desdentado), além de “Mená” e “Dólar”.
Após o consumo de estupefacientes e bebidas alcoólicas, esses elementos tornam-se violentos, ameaçando moradores e tantos outros.
O grupo costuma se reunir na área conhecida como “Cabina”, nas imediações da Igreja Bom Deus, local apontado como centro de planejamento de acções criminosas.











