Criminalidade no Cazenga – Cidadãos fogem de assaltos abandonando suas residências na Mabor
Os moradores do bairro da Mabor, comuna do Kima Kieza, município de Cazenga, pedem às autoridades policiais para que criem mecanismos que ponham termo à onda de assaltos em residências e na via pública, principal factor de instabilidade no seio dos moradores, muitos dos quais já a abandonarem residências para outras zonas relativamente mais seguras.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os apelos, maioritariamente provenientes da zona dos Colômbia, localizada por detrás da ex-Empresa Mabor General, surgem num momento em que muitos moradores daquela circunscrição do Cazenga preferem abandonar as residências por temerem pelas suas vidas.
A cidadã Maquiesse, ex-moradora da zona, em conversa com a reportagem do Na Mira do Crime, avançou que os assaltos ocorrem quase todos os dias. As residências habitadas por cidadãos estrangeiros são as mais visadas.
"Eu tive que abandonar o bairro, porque quase todos os dias havia registo de assaltos em residências. Quando assaltaram a minha casa, usaram pé-de-cabra, martelos e picaretas para arrombar a porta e entrar", contou.
Uma outra cidadã que teve que abandonar o bairro é a Tia Lena, comerciante de perucas no mercado do Kicolo. Ela disse ter sido vítima de assalto no mês de Junho. Durante o assalto, os marginais levaram vários bens domésticos. "Abandonei a casa porque os bandidos arrombaram-na por volta das 23 horas, e assim que conseguiram entrar pelo quintal exigiram que abríssemos a porta, amedrontados tivemos que abrir”, descreveu, lembrando que um deles estava com uma arma de cano serrano e os outros com catanas, facas, ferros e outros objectos.
“Ameaçou-nos de morte caso não entregasse o dinheiro que tinha em casa, pelo que, com medo, tive que entregar os 150 mil que tinha do meu negócio”, explicou, acrescentando que, para além do dinheiro, levaram dois HiPhones, uma TV plasma de 32 polegadas, um liquidificador, e uma pasta onde estavam algumas perucas que os clientes encomendaram.
Ao saírem, acrescentou, fizeram disparos tendo um dos tiros atingido o braço direito da sua filha. “Graças a Deus, o pior não aconteceu", reconheceu.
Uma das vítimas, que falou no anonimato por temer represálias, disse ter vivido momentos de angústia no princípio do mês em curso, quando um grupo de marginais arrombaram a sua residência e levaram artigos diversos.
"Estávamos a dormir, despertei do sono porque ouvia um barulho a partir da porta do quintal, levantei, mas eles já estavam no quintal e exigiram que abríssemos a porta, demorei um pouco, mas tive que obedecer para não colocar a vida da família em risco", contou.
O nosso entrevistado avançou que após momentos de ameaças de morte, agressões físicas, os marginais levaram de casa uma botija de gás butano, TV plasma e 60 mil kwanzas. "Nesta área, há muitas residências arrendadas por cidadãos estrangeiros, então preferem atacar aqui com alguma frequência o que fez com que alguns tivessem que abandonar as casas devido à insegurança, mas nós que vivemos em casas próprias não temos para onde fugir", sublinhou.
O jovem Alexandre disse que os autores dos assaltos agem livremente por falta de uma esquadra que possa garantir o patrulhamento e inibir as acções dos marginais. "Da rua que sai do Ndozi até ao Colégio Leovany, os assaltos acontecem mais de manhã cedo; aproveitando o momento em que as pessoas se dirigem aos seus afazeres e, de noite, preferem assaltar as casas da Colômbia”, relatou, dando conta que fazem tudo na normalidade porque não há esquadra policial, situação que tem de mudar, porque “não podemos continuar a viver assim”.
"A única esquadra é a do Angolano Vala e da Sonefe, que ficam muito distantes do bairro, e ainda que a polícia seja accionada não chega a tempo, por isso cada um tornou-se guardião de si mesmo e da sua família", disse um dos moradores, que acrescentou que os becos e a falta de policiamento constituem factores que facilitam as acções dos marginais.
"Há muitos becos na Colômbia, os assaltantes, muitos deles, são meninos que vivem no bairro, mas as suas mães sempre os defendem, mesmo quando são apanhados de noite com armas brancas nas mãos”, denunciou.
Os munícipes clamam por policiamento de proximidade para resolver o problema de assaltos e roubos naquela circunscrição do Cazenga.











