"Polícia só aparece para extorquir moto-taxistas": Marginais fazem arrastão no bairro Augusto Ngangula e ameaçam matar criança de 6 meses e colocam menor de 04 meses de cabeça para baixo apontado com AKM
Quatro residências foram alvos de assaltos a mão armada na madrugada de domingo, 20, no bairro Augusto Ngangula, na rua da Tabelinha, comuna do Kicolo, tendo os marginais levado artigos diversos e valores monetários.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Inicialmente os marginais começaram por assaltar a casa da senhora Maria, na zona do Tio Mingo, por volta das 3 horas da madrugada, nas imediações do campo onde tem sido realizado campeonatos de futebol.
A senhora Maria avançou a reportagem do Na Mira do Crime que os meliantes arrombaram a janela e introduziram -se no interior da sua residência.
Com ameaças de morte exigiram que fosse entregue o dinheiro que ela tinha da venda de gelado de múcua.
"Ouvi barulho vindo da janela da sala e levantei para desligar a lâmpada, vi que a janela estava arrombada, sem saber que um deles já estava na cozinha, com uma arma de cano cortado. Assim que tentei espreitar ele disse para eu que não desse mais nenhum passo ou então morreria", contou.
Explicou que os outros indivíduos, de igual maneira introduziram-se no interior de casa. "Entraram no meu quarto e começaram a desarrumar as coisas, pediram dinheiro, disse que não tinha, mas um deles disse que eu tinha dinheiro porque tinha comprado dois sacos de múcua, e caso não desse o dinheiro poderiam matar o meu neto de seis meses, mesmo assim respondi que não tinha, então levaram a botija, o telemóvel e 5 mil kwanzas que estava ao lado do telemóvel", explicou.
Os outro assaltos ocorreram na rua da Tabelinha, num quintal comum com varias residências, onde três foram assaltadas e uma tentada.
Neste caso, os meliantes escalaram o muro do quintal e começaram por assaltar a casa da senhora Emília.
"Exigiram que abrisse a porta, caso não, eles fariam de tudo para entrar e matariam todos, fiquei com medo e abri a porta, dois entraram e pediram dinheiro, mas eu disse que não tinha. Foram ao meu quarto e pegaram o meu bebê de quatro meses pelos pés, colocaram de cabeça para baixo e com a AKM disseram que matariam a criança caso não lhes desse dinheiro", contou a senhora visivelmente transtornada.
Acrescentou que, minutos depois, foi colocada no quintal de casa onde deparou-se com mais outros indivíduos mascarados e armados.
"Eu estava apenas com as crianças, começaram a bater-me e mais tarde disseram-me para entrar e fechar a porta de casa, porque a criança estava a chorar, tiraram o meu telemóvel, de marca Itel,", sublinhou.
Em acto contínuo, no mesmo quintal, os marginais dirigiram-se a outra casa, arrombaram a janela e introduziram -se no interior da mesma.
"Gritamos muito por socorro, quando entraram pediram dinheiro, entregamos os 20 mil kwanzas que tínhamos, mesmo assim levaram a botija de gás, a TV plasma, o descodificador da ZAP e da DSTV, eram cerca de seis, mas apenas dois entraram, um com arma de cano cortado e o outro com pistola, graças a Deus não fomos agredidos e estamos vivos", agradeceu a senhora.
Não satisfeitos, os bandidos dirigiram-se a terceira residência, insistiram que abrissem a porta, mais tarde, não tendo sido obedecidas as ordens, arrombaram a porta com pedras.
Uma das jovens disse que, primeiramente os bandidos pediram dinheiro e chegaram a exigir que ela ficasse sem roupas no corpo para ser abusada sexualmente.
"Era tanta pressão dos bandidos que estavam fora, estavam a pedir que fossem rápidos, senti um alívio quando saíram e não tocaram em mim, mas levaram o meu telemóvel analógico, botija de gás, a TV, chinelas originais, o ventilador e 27 mil kwanzas", mencionou.
"Tentaram arrombar também com pedras a porta da minha casa, não sei o que aconteceu, desistiram e graças a Deus foram embora" agradeceu uma outra moradora do quintal.
Moradores disseram a nossa reportagem que os assaltos tinham abrandado porque havia sido criada uma brigada de vigilância, isto depois de um assalto onde a dona casa e a filha foram alvos de disparos de arma de fogo e acabaram por morrer numa unidade sanitária.
"Durante os últimos dias o medo voltou, os marginais voltaram a assaltar as casas, porque os jovens pararam de fazer as rondas, com a notícia das quatro casas que entraram piora ainda mais o medo de viver neste bairro", disse um entrevistado.
O dedo acusador aponta para os meliantes altamente perigosos identificados como "Mana Paula" , "Cabelo" e o "Monteiro".
"Há semana passada apanhamos um deles a roubar na rua do Jeremias, e o levamos à polícia, mas "Mana Paula, "Cabelo" e o "Monteiro" escaparam, eles andam armados, as coisas aqui não estão boas", lamentaram.
Os moradores associam a falta de policiamento na zona como motivação para os assaltos, que segundo os munícipes, acontece em quase toda a extensão do bairro. "Não só entram em residências, a partir das 4 horas da manhã a rua do Jeremias, Savedra e da Igreja do Sétimo Dia também voltaram a ser perigosas, aproveitam atacar as comerciantes do mercado do Kicolo. Dificilmente a polícia está no bairro, mas a partir das 6 horas da manhã aparecem na rua a pedir dinheiro aos taxistas e moto-taxistas, só entram no bairro depois do crime ser realizado e andam a pé, mas será que não podem arranjar um carro para eles?", questionou um dos moradores da rua do Tio Mingo.











