Os 3T, Os PR, Os Malukinhos, a UTP", "Os Blusas", "A Cimeira", "Os Tropas Dura", "Os RDM", "Os Dada Py", "Os TDC", "Os Apurados" - Grupos de marginais intensificam acções no Icolo e Bengo e população abandona suas residências em busca de zonas seguras
O elevado índice de criminalidade levou os moradores do bairro Diogo Batalha, km 30, província do Icolo e Bengo, a abandonarem as suas residências à procura de zonas mais seguras.
Por: Solange Figueira
O Bairro Diogo Batalha está situado depois do mercado do 30 e faz fronteira com os bairros João Luís, Baia-B, Casa Branca, Zamba- 01 e Tempo Muda. Diogo Batalha é dividido por 4 sectores, com mais de 6.800 habitantes e começou a desenvolver-se em 2011, com a evolução do Mercado do 30.
No entanto, há muito que os moradores lançam o grito de socorro ante a elevada onda de criminalidade, consubstanciada em constantes assaltos à mão armada.
Para contornar a situação, os moradores decidiram abandonar as suas próprias residências, para preservar as vidas. Eles contam que, no bairro, não há nem esquadras nem postos policiais. Todos dependem unicamente da esquadra do Baia, que não consegue socorrer toda a população, porque a delinquência tomou proporções incalculáveis.
Os grupos de marginais que assaltam, sequestram e fazem reféns às famílias estão devidamente identificados como: OS 3T, OS PR, O Maulukinhos, a UTP", "Os Blusas" , "A Cimeira", "Os Tropas Dura", "Os RDM", "Os Dada Py", "Os TDC", "Os Apurados".
De acordo com o Senhor Prata Sólido, morador, a criminalidade no bairro está fora do controle; há horários para entrar: às 19 horas é o limite.
Mais de 15 famílias abandonaram as suas casas. “Aqui tem uma ribaixeira que imerge quando chove. Nenhum carro passa e a polícia não entra.
Ao lado, está uma pequena floresta que serve de abrigo para marginais, além de servir de paiol.
"Eu também quero abandonar o bairro, porque a minha casa foi assaltada duas vezes e levaram tudo", disse, lembrando que o bairro não evolui, porque os marginais comandam, fazem famílias reféns e violam mulheres. A polícia, referiu, vê de longe esta situação.
João Justo, Coordenador do Sector-B, diz que o bairro tornou-se um esconderijo para os marginais que fogem de outros bairros. "Vários estabelecimentos foram fechados por causa dos assaltos. Os gatunos que assaltam aparecem fortemente armados, com carros à espera para levar as coisas roubadas", descreveu, salientando que a vizinha que vendia gás foi assaltada por três vezes à mão armada; fechou tudo e foi embora.
"A comissão está constantemente cheia; todos os dias recebemos denúncias de crimes, assaltos nas residências. Ouvimos relatos de que, quando eles entram, abusam sexualmente das mulheres. Os delinquentes daqui são os jovens que vimos a crescer e a nascer no bairro", sublinhou.
Adérito Salvador, Coordenador da Quadra-C, diz que no ano passado, por iniciativa própria, os moradores decidiram criar um grupo de vigilância comunitária. Todavia, os meliantes encontraram uma oportunidade para cometerem crimes em nome do grupo de vigilância. "Tivemos que desfazer o grupo; os gatunos assaltavam em nome do grupo de vigilância, estavam a pôr as nossas vidas em risco", afirmou, adiantando que nenhuma casa ou obra pode desenvolver-se ou ter boa aparência, é logo assaltada.
"Não são assaltos de brincadeira; entram sempre 5 a 10 marginais fortemente armados. Se há pessoas em casa, fazem reféns, ameaçam pôr as crianças na arca ou no tanque de água, para forçar a entrega de tudo o que necessitarem", conta.
A nossa Equipa de Reportagem entrou em contacto com o comandante da Esquadra do Baia, Inspector José Coelho. Este garantiu que pretende ter um policiamento de proximidade, com a população, a fim de identificar e prender os marginais. "Estive no bairro Diogo Batalha, no sábado, andamos por duas horas pelos 04 sectores, ouvimos a população, andei no meio do bairro com os coordenadores e moradores; estamos a trabalhar para identificar os marginais e prendê-los", prometeu.











