10 famílias já abandonaram a Mutamba – Moradores do município do Kilamba pedem intervenção da polícia para conter assaltos à residências
Os moradores da rua do colégio Michel, localizado no bairro da Mutamba, município do Kilamba, queixam-se de constantes assaltos à mão armada, no interior de residências, perpectrados por marginais encapuzados e armados com armas de fogo do tipo AKM e exigem da polícia mais policiamento para se pôr cobro à situação.
Por: Cambuta Vieira
Após a denúncia sobre a constante onda de assaltos que se regista em residências, a equipa deste jornal deslocou-se até ao referido local, onde foi possível constatar a dura realidade com que se deparam. Cada morador tem uma história triste para contar, convergindo num ponto: a resposta às denúncias tarda a chegar.
Os moradores relataram que os assaltos têm ocorrido semanalmente; os meliantes são compostos por 05 a 06 elementos, todos munidos de AKM. A polícia tem conhecimento da situação, mas pouco ou nada tem feito, obrigando os moradores a abandonarem as suas casas. "Aqui não temos esquadra policial; quase que todas as madrugadas ouvimos disparos de arma de fogo, os vizinhos estão a abandonar as casas; pelo que pedimos ajuda", apregoou.
Dona Teté, proprietária de uma cantina, foi assaltada no princípio do mês de Julho, quando um grupo composto por 05 marginais, todos encapuzados, munidos de armas de fogo do tipo AKM cano cerrado, entraram em casa, depois de terem pulado o murro do quintal, com recursos a um pé-de-cabra, arrombaram a porta e levaram consigo 80 mil, um televisor plasma e telemóveis. Face à ocorrência, a família lesada abandonou a residência.
Depois de passar uma semana, a senhora Linda foi assaltada por um grupo também composto por 05 meliantes, todos encapuzados, munidos de AKM, cano serrado e uma catana. Entraram em sua residência por volta da uma hora, onde permaneceram por mais de duas horas. "Assim que chegaram, um dos marginais ficou na rua e gritou, dizendo que quem sair vai ser morto, os vizinhos, com medo, não saíram, mas ouviram todo barulho", disse.
Já no quintal, os bandidos efectuaram um disparo de arma de fogo e com recurso a um pé-de-cabra e outros objectos corto-perfurantes, os meliantes arrombaram o gradeamento da janela, tendo depois pegado em uma pedra grande jogaram pela janela, facilitando a entrada no interior da casa, onde exigiram valores monetários. O marido entregou 17 mil kwanzas que tinha, dois telemóveis digitais, uma pasta com diversas perucas e um par de chinelos. Não satisfeitos, agrediram fisicamente a proprietária da casa.
"Eles exigiam mais dinheiro, pegaram no meu neto e levaram-no à obra; eu segui-os e reiterei que não tinha mais dinheiro, tendo os marginais ficado chateados e deram-me uma chapada na cara”, explanou.
No passado dia 31 de Julho, a senhora Jonce não foi poupada pelos meliantes. Contou que por volta das 03 horas da manhã, um grupo composto por 06 meliantes pulou o quintal, cortando antes o gradeamento, introduziram-se em casa, onde exigiram as chaves da cantina, mas por não ser a proprietária da cantina, os marginais levaram o telemóvel, peruca e um anel de ouro.
Por volta das 04 horas da manhã, o marido de Jonce ligou a um amigo que é efectivo da polícia, que quando chegou houve trocas de tiros entre os meliantes e os efectivos, mas ninguém foi alvejado.
Drap é outra vítima dos malfeitores e teve de abandonar o país após ser assaltada. Os vizinhos contaram que no mês de Julho, por volta da uma hora da madrugada, 06 elementos encapuzados, todos munidos de AKM, cano serrado, pularam o quintal, enquanto uns arrombavam o gradeamento das janelas da sala e do quarto. Depois de arrombarem a janela da sala, o mais estreito partiu os vidros e teve acesso à casa, abriu a porta para facilitar a entrada dos seus comparsas.
Já na residência, os marginais efectuaram dois disparos de arma de fogo, exigiram valores monetários em dólares, pois o marido da vítima se encontra na França e os meliantes acreditavam que tem enviado divisas. Os meliantes levaram 04 telemóveis e uma pasta. A polícia foi accionada, mas não apareceu. Logo pela manhã, a lesada foi à esquadra da Engevia, onde foi disponibilizado um efectivo que foi observar as entradas da residência, e nunca mais apareceu.
Relatos dos moradores dão conta que uma cidadã, mãe de gêmeos, foi baleada no braço, porque defendeu o filho menor quando os marginais apontavam uma arma na sua cabeça, porque os seus progenitores teriam dado pouco dinheiro. Depois de ser socorrida, a cidadã em causa abandonou a sua residência.
Até ao momento, o bairro soma um total de mais de 10 assaltadas, número equivalente às casas abandonadas.
Procuramos ouvir a polícia local, e sem gravar entrevista, fez saber que "a esquadra local está no encalço da situação, já há efectivos a patrulhar o bairro, fruto disso, ocorreram duas detenções dos líderes do grupo denominado os ‘Camamalanjes’. A polícia promete redobrar as medidas no período nocturno para se mudar o quadro.











