Procura-se polícia: Divisão entre o Sambizanga e a Boa Vista sob controlo dos grupos "Os Baby 300", "Baby 200" e "Os CDG"
Os moradores da zona da antiga subestação eléctrica da Boa Vista, clamam as autoridades policiais no sentido de os acudir do elevado nível de criminalidade que assola o bairro, onde os assaltos ocorrem a qualquer hora do dia, no que se traduz no sentimento de insegurança naquela circunscrição do município do Sambizanga e Ingombotas.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Depois de várias denúncias chegadas ao Na Mira Do Crime, a nossa equipa de reportagem deslocou aquela local no último domingo, 17, para ouvir os gritos de socorro dos munícipes.
Os moradores atestaram que os assaltos tornou-se uma acção normal nos últimos dias, principalmente no viaduto do Prédio do Livro até a Avenida Kima kienda, imediações da Sonil e na fronteira entre o Sambizanga e o município das Ingombotas.
O senhor Augusto, morador da zona, avançou que os marginais são provenientes dos casebres que estão nos morros da Boa Vista, onde formam sentinelas para controlar o movimento de pessoas e viaturas que circulam na via.
"Ficam escondidos nos separadores da estrada, outros fingem ser coletores de materiais ferrosos nas montanhas do Mira Mar, quando oportuno descem e imobilizam a vítima e fogem em direcção aos arbustos da zona do Sequele", contou.
Explicou que o Sequele corresponde a parte dos casebres que estão debaixo do morro da Boa Vista, no sentido viaduto/Sonil.
"Os trabalhadores das empresas da Boa Vista são as principais vítimas, são esperados aqui na área da subestação eléctrica. Antes jogavam pedras nos tetos das casas ao lado para nos intimidar, era como forma de dizer que chegaram para os assaltos", descreveu o nosso entrevistado.
"O melhor a fazer é ficar dentro de casa para não acabar ferido, mas no último sábado, 16, nos revoltamos e tentamos impedir as suas acções, o que veio a criar um grande conflito entre os moradores e os bandidos. Eles fugiram, depois voltaram com catanas, ferros, paus e facas e invadiram o nosso bairro, se não fosse a polícia da subestação, que teve que intervir, teríamos vítimas mortais", sublinhou um dos moradores.
De acordo com o nosso entrevistado, os marginais não se intimidaram com a actuação policial e tentaram a todo o custo avançar.
"Graças aos militares das Forças Armadas que controlam algumas empresas na zona, eles foram dispersados com tiros, mesmo assim eles tentavam desafiar as tropas, aquilo foi que nem um filme", admirou.
Na manhã desta terça-feira, 19, este jornal voltou a receber denúncias de assaltos na zona.
"Hoje, por volta das 6 horas da manhã, voltamos a ouvir gritos de socorro, inclusive foi encontramos sangue no chão de um jovem que foi esfaqueado", denunciou um morador.
Os grupos "A Baby 300", "Baby 200" e "CDG", são apontados como os mais temidos da zona, liderados pelo "Chocolate", "Ta falar", "Samiro", "Da Francês", "Yena" e o "Puto".
"Estes miúdos não têm medo, a polícia deve urgentemente fazer alguma coisa, porque não estamos seguros, ou que seja colocado um Posto Policial, porque os agentes que aqui se encontram foram colocados apenas para garantir a segurança da subestação e são poucos, a solução é ter uma Esquadra", sugeriu.
A nossa reportagem deslocou-se ao sector Mota, Betão Zaire, apontados pelos moradores como locais do Sambizanga com elevado índice de assaltos na via pública.
Eram por volta das 17 horas, no local, onde flagramos um grupo de meliantes com objectos cortantes, garrafas e pedras a realizarem assaltos na via pública.
Um dos moradores da zona da OMA, que terá sido vítima no momento, alertou-nos a não prosseguir a caminhada, dada a perigosidade que a rua se encontrava no momento.
"Receberam o meu telefone, tentei resistir, por pouco teria sido ferido com um facão comprido, são todos rapazes que cresceram aqui no Sambizanga, mas são perigosos, o melhor será vocês voltarem porque estão a receber os pertences de todos que passam", avisou.
A nossa reportagem soube de moradores que se tratavam dos grupos "Os Marijoana" e "Os Leiboll", que no referido momento encontravam-se em acção.
"Hoje eles levaram muitos telefones, cerca de sete, pelo que vi de longe, além dos que receberam após eu sair próximo do local, está zona agora é insegura", classificou um dos moradores da zona.











