“MPLA”, “UNITA” e “B1001” - Grupos de marginais fortemente armados com armas de fogo impõem regras de jogo no Camama
As ruas do Imbondeiro Fininho, Conoli, Gasolina e a famosa rua da Cantina do Cinquentinha, no bairro do Bondó Chapé, município da Camama, têm sido palco de constantes lutas de rixas e elevado índice de assaltos à mão armada, na via pública e em residências, crimes perpectrados por bandidos devidamente conhecidos pela polícia local.
Por: Cambuta Vieira
Os assaltos em residências e na via pública são uma constante e têm sido praticados por marginais bem conhecidos pela polícia e pela população. Isso é o que preocupa mais pois, diariamente, são vítimas de uma espécie de “fogo amigo”, que se mantem aceso ante a ausência de patrulhamento policial.
No pretérito dia 17 de Junho, por volta das 01 horas da manhã, um grupo composto por mais de 15 elementos, entraram no quintal da dona Maria, enquanto os seus comparsas estavam na rua a fazer cobertura com ajuda de duas motorizadas.
Os meliantes arrombaram os gradeamentos da casa com ajuda de uma pedra que estava no quintal e um pé-de-cabra. Assim que entraram, os membros de casa esconderam-se num único quarto, enquanto os bandidos chamavam pela mãe e exigiam valores monetários.
"Todos eles armados com AKM canos serrados, apenas um é que estava mascarado. Eles levaram um televisor plasma, três telemóveis digitais de marcas diversas, várias perucas, um computador portátil e 300 mil kwanzas", disse.
Pedro, morador da rua da gasolina, relatou que, no mesmo mês, um grupo composto por mais de 07 bandidos, munidos de facas, catanas e pistolas, com ajuda de um ferro, rebentaram o tubo da porta que dá acesso ao interior de casa.
"Quatro elementos, todos eles munidos de facas e pistolas, diziam apenas: está localizado. Eu fiquei estatelado a lhes observar, enquanto eles pediam dinheiro. Mas quando eu disse que não tinha nada, começaram a agredir-me com socos, pontapés e com cano de pistola que resultou em ferimento grave", descreveu, acrescentando que depois de acharem o cartão multicaixa, exigiram o PIN, ameaçando-o de morte caso o código estivesse errado.
Pedro realçou que quando amanheceu, ainda ensanguentado, dirigiu-se à esquadra do Bondó Chapé, localizada nas proximidades da rotunda da Fubú, mas foi mal atendido pelos efectivos da ordem pública que nunca chegaram a aparecer na sua residência.
Por outro lado, os assaltos na via pública têm sido facilitados pelas residências abandonadas que servem de esconderijos, tendo como alvo principal os cidadãos que preferem sair mais cedo das suas casas ou chegar mais tarde.
O meliante identificado por “Tia Maria” é apontado pelos munícipes como o elemento que terá se aproveitado de uma das casas abandonadas, junto à cabine de elctricidade “o PT 157”, para violar uma jovem que passava pela rua. "A jovem estava sozinha e, apesar de ter estado a gritar, foi empurrada para casa abandonada e Assim que nós fomos ver, o “Tia Maria” saiu a correr e levando consigo a pasta dela contendo pertences", contou, manifestando o seu descontentamento pelo facto de o marginal em referência continuar solto.
Paulo, morador do bairro há 05 anos, disse que os marginais assaltam os transeuntes e os moto-taxistas, exigindo valores monetários, que variam entre os 100 e 200 kwanzas, para satisfazer os seus vícios. Quem se recusar a dar o dinheiro exigido, corre o risco de ser agredido com objectos contundentes, chegando até às vezes ao ponto de ser aleijado.
"Recentemente, um cidadão que conduzia uma motorizada de três rodas, vulgo kupapata, foi agredido com uma catana na cabeça e teve que se queixar à esquadra. A intervenção da polícia permitiu recuperar a motorizada e esclarecer que o crime foi praticado por indivíduos afectos ao grupo de marginais denominado “os B 1001”, afirmou.
As lutas de gangues é outro fenómeno que vem ganhando corpo, na circunscrição, sobretudo aos finais de semana, provocando insegurança sem precedentes, porque os marginais usam todos os meios, dentre armas de fogo e armas brancas e outros objectos contundentes. “Com recursos a catana, facões e facas, estragam até as chapas e os portões de quintais”, contam.
O marginal conhecido por “Josué”, que vive na famosa rua do “Professor Menezes”, depois da morte de sua mãe, há um mês, terá vendido todos os artigos de sua casa. Ele é apontado pelos denunciantes como o homem que remove os tectos, as portas e chapas que cobrem os quintais abandonados para, depois, vendê-los na casa de pesagem de material ferroso, localizada na rua 06, cujo proprietário é um cidadão de nacionalidade Guineense, que responde pelo nome de Papá Silas.
Josué, com ajuda dos seus comparsas menores de idade, vendem esse material na casa de pesagem, onde cada chapa, dependendo do estado e peso, chega a custar entre 2 e 4 mil kwanzas, enquanto pelas portas cobra entre os 2 e 6 mil kwanzas, dinheiro que é usado para satisfazer os seus vícios.
No pretérito dia 10 do corrente mês, Josué foi visto a perpetrar mais uma das suas acções maléficas, tendo roubado a cobertura de uma obra que estava supostamente abandonada. Os moradores apontam que o mesmo também tem roubado algumas peças da cabine eléctrica (PT157) que está localizada no interior do bairro.
Segundo fontes deste Jornal, os grupos de marginais que dominam o bairro Bondó Chapé são identificados por “MPLA”, “UNITA” e “B1001”, integrados pelos jovens: Agueiro, Sabonete, Tia Maria, Lalepanda, Edmilson, Dadibo, Tipilha e Pitbull, este último que se encontra internado no Hospital Geral de Luanda com a garganta cortada durante uma rixa.
De recordar que no pretérito dia 18 do corrente mês, na rua do Imbondeiro Fininho, 05 jovens foram alvejados com disparos de arma de fogo, por elementos desconhecidos, resultando em duas mortes, dois feridos um dos quais em estado grave.
Contactado o porta-voz da polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel garantiu pronunciar-se oportunamente.











