"Os Difíceis", "o Nacobeta", "os Filhos da Mamã", "Os FBI", "os Povos Angolanos", "os Roupa Nova" "Os do Brasil" "os Blusinhas" - Grupos de marginais mandam em tudo e apertam o cerco no Zango
Grupos de marginais dos bairros Luanda Limpa, Zango-0 aterrorizam moradores da quadra I, Zango-04 B, mais precisamente na rua do Instituto Superior Nelson Mandela.
Por: Solange Figueira
Há várias semanas que os moradores têm sofrido uma onda de assaltos, envolvendo marginais provenientes de outros bairros.
As vítimas contam que os meliantes, nas suas acções, estão sempre armados com facas, machados e catanas, e perseguem até mesmo cidadãos que se encontrem sentados nos portões das suas casas. A partir das 19 horas, já é perigoso circular no bairro.
Os grupos de marginais, embora venham de outros bairros, estão bem identificados: "Os Difíceis", "o Nacobeta" e "os Filhos da Mamã", que são marginais do Zango-0, enquanto "Os FBI", "os Povos Angolanos", "os Roupa Nova" e "Os do Brasil" são grupos de marginais que vêm do bairro Luanda Limpa. Já "os Blusinhas" vêm do Zango-04.
De acordo com a senhora Maria Miguel, ela foi assaltada duas vezes e, por esta razão, decidiu abandonar o bairro. "Eu trabalho muito distante de casa, muitas vezes chego às 21 horas. A primeira vez que fui assaltada, me seguiram desde a paragem, e corriam atrás de mim, munidos de uma catana e roubaram-me o telemóvel e a pasta", descrever, acrescentando que na segunda vez, estava a sair de casa para ir acompanhar a sua sobrinha à paragem, eram 20 horas. "Fomos perseguidas pelos marginais até ao local do assalto", contou, lembrando que foram intimidadas com uma faca e conseguiram levar a peruca e o telemóvel da sua sobrinha.
Esperam que a polícia faça uma limpeza naquele bairro. "Meu esposo trabalha fora de Luanda, por isso vou mudar de bairro, porque não me sinto segura vivendo aqui e continuar a ser vítima de assaltos", precisou.
Paulo António, morador do bairro há 9 anos, conta que os meliantes se escondem na rua da Loja de Registos, em frente a um posto de saúde e uma farmácia, mas também junto à parede do Instituto Superior Nelson Mandela, onde há uma obra abandonada.
"Os meliantes agem sempre em grupos de 4 elementos. As ruas aqui são muito escuras. A minha esposa foi assaltada no meu portão várias vezes. Se os marginais estiverem de passagem e virem alguém com o telemóvel aceso nas mãos, é logo atacado", relata, asseverando que estão aterrorizados. Eu já peguei um marginal que estava a assaltar um vizinho e o levei para a Esquadra do Luanda Limpa. Parece que eles brincam de trabalhar, porque libertaram o gatuno depois de dias. Apelamos à Polícia local que nos acuda, estamos a sofrer."
Dona Clarice da Silva, moradora, alega que nos anos passados não registavam casos de roubos constantes como agora. "Temos uma vizinha que foi assaltada na porta de casa, e o telemóvel dela, de marca iPhone, foi roubado. Agrediram-lhe com uma catana no pé, no calcanhar e, neste momento, ela está ferida. Proprietária de um salão de estética, o marido dela trabalha no SIC e achou o telemóvel, porém não quer falar sobre este facto.
Aragão Custódio, coordenador do bairro, diz ter conhecimento dos factos. "Já levei a preocupação dos moradores ao comandante da Esquadra do bairro Luanda Limpa. Muitas vezes, marcamos reuniões, mas os moradores não aparecem, por isso os munícipes pensam que não trabalhamos", presume, acrescentando que depois de levar a preocupação ao comandante, foi criado um grupo de vigilância que tem relatado tudo que acontece no bairro ao comandante.
A nossa equipe de reportagem entrou em contacto com o comandante da Esquadra Vila Chicala, conhecida também como Esquadra do Luanda Limpa, Inspector Chefe Denis Muanha, que diz que os moradores dificilmente fazem participação à Polícia quando são assaltados.
"Os marginais que actuam na Quadra I são flutuantes. No passado, prendemos dois marginais altamente perigosos que actuavam naquela zona, o Nacobeta e os Filhos da Mamã, estavam presos por muito tempo, porém já estão em liberdade, vamos trabalhar no sentido de capturar os grupos de marginais que que estão a criar instabilidade no bairro", assegurou











