Em julgamento: Efectivo do SIC "Zico" acusado de matar três pessoas no Cazenga diz que a arma de fogo usada no crime lhe foi entregue pelo RH da corporação sem número de registo
O arguido do processo n.º 680/25-D, Uatucaneto Moreira, conhecido como "Zico", efetivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), responde em tribunal pela prática dos crimes de homicídio qualificado, onde três cidadãos nacionais, dois dos quais membros da mesma família, foram mortos a tiro no município do Cazenga. Durante a segunda sessão do julgamento, realizada nesta quarta-feira, 26 de Novembro, no Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina, o arguido fez novas revelações.
Por: Kihunga Bessa
Devido a problemas técnicos registados no tribunal, a audiência que estava marcada para às 11 horas, teve início por volta das 14 horas e 30 minutos, na sala da Quarta Secção daquele tribunal.
A sessão foi presidida pela Meritíssima Juíza Presidente Maiza Garcia.
Durante o interrogatório de produção de provas, o arguido alegou que, em 2018, recebeu uma arma de fogo sem número, das mãos do chefe de Recursos Humanos do Comando Municipal do Cazenga, Kinito Gonçalves.
Esta arma, segundo Zico, lhe foi entregue sem o devido registro.
O coletivo de juízes, por sua vez, afirmou que o documento apresentado pelo advogado de defesa, durante a fase de instrução, faz referência a um suposto número da arma, 941, o qual está relacionado a um crime de homicídio qualificado ocorrido no município de Viana. O caso encontra-se em fase de esclarecimento.
Questionado sobre a possibilidade de ter emprestado a arma a alguém, o arguido negou, afirmando que a manteve consigo desde a sua recepção.
Na sua declaração, Adriano de Almeida, sobrevivente e testemunha dos factos, relatou que o arguido, que já conhecia a família das vítimas, cometeu o crime de forma premeditada.
"Pela forma como agiu, ficou evidente que foi algo premeditado. Depois de efetuar o primeiro disparo, chamei-lhe pelo nome e disse-lhe que aquele era o meu tio, mas ele continuou a disparar até atingir os infelizes", afirmou.
Outros declarantes, como Castro de Oliveira e Floi Paulo Gabriel, corroboraram com a versão de que o arguido está envolvido em práticas criminosas, destacando o facto de Zico já ter cometido outro homicídio com o uso de uma arma de fogo.
No caso foi vítima, um cidadão nacional identificado como "Das Paradas", ocorrido no município do Cazenga.
Em razão da ausência de alguns declarantes e de militares considerados como testemunhas do arguido, a audiência foi adiada. A próxima sessão está agendada para o dia 3 de Dezembro de 2025, às 10h30, quando serão lidas as alegações do Ministério Público.











