Protegido pelos colegas? Suposto agende do DIIP encontra-se em parte incerta depois de ser acusado de rapto e roubo de dois telemóveis no projecto Nova Vida – Processo n.º 4602/25 Está 'Engavetado'
Um cidadão de nome Amilénio Mateus Cristóvão, agente da direcção de investigação de ilícitos penais (DIIP), colocado na esquadra do Sequele, é tido como foragido, com a suposta protecção de colegas, depois de ter alegadamente roubado dois telemóveis, sendo um de marca iphone 13 pro max, avaliado em mais de 500 mil kwanzas, e outro de marca ZTE Blade A75, bem como valores monetários avaliados em 100 mil kwanzas, pertencentes a um pacato cidadão, na província de luanda.
Por: Kihunga Bessa
Segundo a vítima, morador da Urbanização Nova Vida, município do Kilamba Kiaxi, o facto ocorreu no pretérito dia 16 de Junho do ano em curso, quando comercializava o seu telemóvel ao preço de 530 mil Kwanzas, fazendo publicidade nas redes sociais.
No entanto, por volta das 17 horas do referido dia, recebeu um telefonema de um indivíduo que simulava estar interessado na compra do telemóvel e marcou um encontro com o vendedor na via expressa.
“Ele disse-me para nos encontrarmos na zona do Patriota, mas eu rejeitei, tendo em conta os casos que têm acontecido nas redes sociais. Disse-lhe que preferia na minha zona de conforto e ele concordou”, disse.
Acrescentou que, por volta das 18 horas, ele e um amigo dirigiram-se ao local combinado para o encontro com o suposto comprador. Já no local, o indivíduo pegou no telemóvel e disse ter gostado, mas, segundo a vítima, havia ao lado mais três elementos que, de repente, cercaram o seu amigo, e surgiram ainda mais dois indivíduos trajados com a farda da Polícia Nacional, alegando serem agentes da DIIP.
“Quando eles chegaram, disseram-nos que estávamos detidos e que teríamos de provar que o telefone era nosso. Fomos algemados e introduzidos numa viatura de marca Toyota, modelo Corolla, de cor azul”, recordou.
Ressaltou que, já no interior da viatura, durante o trajecto, seguiram em direcção ao Benfica. Em determinado ponto, os mesmos retiraram outros pertences da vítima e exigiram o valor monetário de 100 mil kwanzas, sob ameaças de morte. Sem outra alternativa, a vítima revelou o código do seu Multicaixa Express, no telemóvel que estava com eles, onde havia apenas 70 mil kwanzas.
Sublinhou que, não satisfeitos, exigiram ainda mais 100 mil kwanzas. Libertaram o seu amigo para ir buscar o dinheiro, enquanto ele ficou sozinho. Ligou então para outro amigo, sem explicar o que se passava, e este enviou os valores em falta. Dirigiram-se novamente à zona do Patriota e, por volta das 21 horas, retiraram o dinheiro e deram-lhe mil kwanzas para apanhar um táxi.
“O erro deles foi terem-me devolvido o cartão SIM, e lembrei-me que o ID que uso está associado ao da minha sobrinha. Coloquei o meu cartão SIM no aparelho dela e consegui localizar o contacto e as fotografias, porque ele usava o próprio telemóvel”, frisou.
Realçou que, através das fotografias e do contacto, dirigiu-se ao DIIP Nacional, situado na via expressa, onde participou a ocorrência, tendo sido aberto o processo n.º 4602/25, sob instrução do intendente Azevedo. No sistema da base de dados, foi localizado o nome do acusado.
A vítima avançou ainda que, passadas duas semanas, foi notificada para comparecer ao DIIP Nacional, onde encontrou o acusado, que posteriormente foi conduzido ao comando municipal do Kilamba Kiaxi, sito na Urbanização do Nova Vida, munido de um mandado de detenção. Contudo, supostamente, o mesmo não chegou a ser detido, encontrando-se foragido até à presente data.
Salientou ainda que, depois de tomar conhecimento de que o indivíduo não se encontrava na referida esquadra, ligou para o instrutor do processo, que garantiu que este estaria a cumprir a pena na comarca de Viana. Não satisfeita com a resposta, a vítima efectuou diligências para aferir a veracidade da informação, através de familiares e amigos que trabalham naquela unidade penitenciária, e apercebeu-se de que o mesmo nunca foi conduzido à comarca de Viana, o que evidenciou a possibilidade de estar a ser protegido por colegas.
“Há dias, recebi um telefonema anónimo de alguém a dizer-me para esquecer o caso, alegando que o referido telefone também já tinha sido roubado”, explicou.
A família do acusado solicitou a um dos amigos da vítima, uma tentativa de negociação sobre o assunto e clama pela ajuda das autoridades competentes.
O Na Mira do Crime contactou o acusado via telefónica e por mensagens normais, para ouvir a sua versão, mas sem sucesso.
De seguida, contactou o Intendente Azevedo, instrutor do processo, também via telefónica e por mensagens, igualmente sem sucesso.
Tentamos ainda o contacto com o porta-voz do DIIP, Intendente, Quintino Ferreira, mas não atendeu o nosso pedido de contraditório.
Fonte ligada à Inspecção do Comando Provincial da Polícia em Luanda avançou que o processo está em curso, mas em segredo de justiça.











