Após encerramento judicial: Supermercado Big One saqueado por marginais - moradores dizem que a polícia "assobia de lado"
Diversos equipamentos do supermercado Big One, localizado no bairro Alvalade, município da Maianga, em Luanda, têm sido furtados desde o encerramento do estabelecimento, decretado há cerca de um ano pelo Tribunal da Comarca de Luanda, na sequência de um processo movido pelo Banco de Comércio e Indústria (BCI) devido a uma alegada dívida.
Por: Cambuta Viera e Kihunga Bessa
De acordo com informações apuradas junto de moradores da zona, os furtos têm ocorrido de forma recorrente, envolvendo bens de valor significativo, o que já terá causado prejuízos avaliados em vários milhões de kwanzas aos proprietários.
Entre os itens recentemente levados constam cadeiras e uma máquina industrial de produção de gelo.
Apesar de várias denúncias apresentadas à Polícia Nacional, na esquadra da Maianga, os moradores e responsáveis alegam falta de intervenção eficaz das autoridades e do fiel depositário, responsável pela salvaguarda do espaço.
“É triste ver uma loja com tanto prestígio ser destruída desta forma”, lamentam residentes locais.
Os relatos indicam ainda que, no último fim de semana, um contentor com diversas mercadorias pertencentes a um diplomata, que se encontrava no recinto, foi vandalizado, tendo os produtos sido igualmente roubados. O furto foi registado em vídeo por um morador.
Segundo fontes, o diplomata terá comunicado o ocorrido ao tribunal, que por sua vez accionou a polícia. Na tarde de terça-feira, 28, agentes deslocaram-se ao local para averiguar a situação.
A direção da Big One afirma ter apresentado múltiplas queixas tanto ao tribunal como às autoridades policiais, sem que, até ao momento, tenham sido tomadas medidas eficazes para proteger o património enquanto o processo judicial decorre.
Recorde-se que, em Abril de 2025, a empresa suspendeu o vínculo laboral de cerca de 380 trabalhadores, após o encerramento do estabelecimento.
Em comunicação dirigida à Inspeção Geral do Trabalho (IGT) e a outras instituições do Estado, a empresa justificou a decisão com base no processo judicial n.º 1446/2022-F, que resultou na penhora do imóvel onde operava.
Na mesma nota, a Big One afirmou desconhecer o desfecho e a duração do processo em tribunal, alegando ainda ausência de resposta a recursos interpostos. A empresa sustenta que
o proprietário, Rui Conceição, tem procurado liquidar a dívida junto do BCI, mas sem acordo quanto aos termos propostos.
Entretanto, a situação continua a gerar preocupação entre ex-funcionários e moradores, que assistem à degradação progressiva de um dos estabelecimentos comerciais outrora considerados de referência na capital angolana.











