População pede presença da Polícia no Kilamba - Alto nível da criminalidade na Vila Flor e arredores assusta moradores
O índice de delinquência em algumas zonas do município do Kilamba, sobretudo nos bairros que compõem a geografia da comuna da Vila Flor, tem proporcionado um ambiente de insegurança devido ao elevado nível de actos criminais observado diariamente, sobretudo assaltos e roubos na via pública, assim como luta entre grupos rivais, que tem tirado o sossego dos moradores daquela circunscrição de Luanda.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku e Aurora Cambuta
A reportagem do Jornal Na Mira do Crime radiografou durante os dias 24 e 25 do mês corrente a situação da criminalidade na comuna da Vila Flor, tida por muitos como uma das circunscrição do Kilamba mais críticas em termo de criminalidade.
No princípio, a nossa reportagem esteve no bairro "Santo António" e na "Fofoca", onde os moradores exprimiram o seu descontentamento com elevado número de assaltos, furtos, roubos e lutas entre grupos nas duas zonas.
Em declarações ao Na Mira do Crime, um dos membros da comissão de moradores do bairro Santo António, avançou que não há segurança nem tranquilidade no bairro, uma vez que os marginais atacam as pessoas na via pública em plena luz do dia.
"Não vivemos seguros, há muitos bandidos nas ruas, atacam às pessoas sem qualquer receio e a qualquer hora do dia. No período das 15 até pelo menos às 19 horas, o bairro fica mais melindroso, os bandidos assaltam as pessoas que regressam do trabalho ou as senhoras provenientes do mercado, até o jantar recebem", contou o senhor.
Para aquele funcionário, avançar nomes dos meliantes seria colocar a sua vida em perigo, porque vezes há em que quando um meliante chega a ser detido, horas depois regressa e cita o nome de quem fez a denúncia.
"Aqui quase todos os dias há lutas, os da Mutamba, Fofoca e os da Lagoa, travam batalhas porque os jovens destes bairros são inimigos.
Lutam em qualquer lugar, mas nas imediações da Comissão é onde mais se enfrentam com paus, facas, garrafas, pedras e outros objectos, e nós da comissão nada podem fazer por medo de represálias, porque das vezes que alguns foram levados pela polícia, horas depois voltaram e disseram que a polícia citou o nome dos denunciantes", explicou
"Por exemplo", disse o funcionário da comissão, "Os jovens da pracinha antiga, os da Fofoca e um grupo de jovens provenientes da Mutamba na terça-feira, dia 23, começaram a lutar por volta das 10 horas da manhã até pelo menos às 12 horas, às 14 horas começaram outra vez até às 22. Foi uma luta em que ninguém se atrevia a passar, caso contrário era atacado também, inclusive a comissão do bairro teve que ser fechada o mais rápido possível, a situação aqui nao está boa", avaliou.
Os moradores apontaram a zona da "comissão do barba", Igreja do Kimbango (União dos profetas), a rua do Complexo Escolar Tuti, a zona da Lagoa, e a rua da Fofoca, como as mais melindrosas.
"Dentre todas as zonas o campo da praça antiga é a mais perigosa, ali os meliantes atacam sem parar, o melhor é não passar por ali se não fores conhecido, caso contrário perdes tudo ou acabas por ser ferido, ali é muito perigoso", advertiu. Os moradores disseram que a fraca presença da polícia na zona tem contribuído, de certa forma, para o aumento da delinquência, pelo que pedem o patrulhamento policial para inibir os actos criminais.
"Não temos nem sequer um posto policial no bairro, quando comunica-se a polícia sobre algo que se precisa da actuação imediata, só aparecem no dia seguinte, assim como aconteceu ontem terça- feira quando os jovens entraram em confronto, a polícia foi chamada a intervir, infelizmente até hoje, quarta-feira, não apareceram", lamentou um dos moradores da zona da Pracinha antiga.
Em acto contínuo, a nossa reportagem deslocou-se ao bairro Bita-Mutamba, onde os moradores apresentaram menor preocupação sobre a situação da criminalidade. Em entrevista ao Na Mira do Crime, uma das vendedoras da pracinha do bairro Bita Mutamba, disse que a situação criminal naquela circunscrição do Kilamba e relativamente estável.
"Já vivemos momentos em que o bairro parecia um inferno, mas agora há poucos relatos de roubos nas ruas e em residências, porque uma boa parte dos mais perigosos foram mortos e os que ficaram atacam às escondidas, no período de noite podes ouvir um grito de socorro daqui ou de um outro lado, mas não quanto no passado", disse a comerciante.
A vendedeira sublinhou que no referido bairro, na zona das ravinas, tem saído relatos de assaltos nos últimos dias, sobretudo de noite.
"Ha uma área na pracinha, onde a chuva destruiu as casas, a rua e causou uma vala grande, ali não se passa de noite porque os bandidos agora estão a ficar ali, ficam escondidos a espera de quem atacar, o melhor é escolher um outro local para passar", aconselhou.
Para os moradores, a escuridão provocada pelos frequentes cortes da energia elétrica é um dos fenómenos apontados como facilitadores dos casos de assaltos na via pública de noite. "Temos sempre falha de energia, o bairro pode ficar sem energia durante três ou quatro dias, com a escuridão alguns bandidos aproveitam atacar", denunciou um taxista.
Sem medir esforços, a reportagem chegou ao bairro Bita Progresso, onde os moradores relataram sobre assaltos nas vias públicas, praticados por elementos com idades compreendidas entre 16 e 25 anos de idade que, durante a luz do dia se fazem passar por lotadores de viaturas e de noite são marginais.
"Alguns lotadores de taxi passam o dia a fazer o seu trabalho normal, mas de noite tornam-se os bandidos do bairro, eles andam com facas e lâminas para atacar os transeuntes", denunciou uma moradora da zona.
Acrescentou que no dia 11, do mês em curso, o bairro viveu uma situação constrangedora quando um grupo de marginais munidos de objetos contundente como facas, catanas, e lâminas, realizaram diversos assaltos na rua da fábrica de blocos e na rua da Congregação das Testemunhas de Jeová.
"Assaltaram muitas pessoas, uma delas foi a Paulina, receberam-lhe o telemóvel digital de marca Vivo, levaram a bolsa dela onde estavam os seus pertences e o cabelo também foi puxado", mencionou uma das moradoras. Este jornal soube por via de Informações de pessoas no local que supostamente uma das professoras de um das escolas, identificado por colégio Maravilha, muito recentemente terá sido alvo de assalto no bairro.
"Ela chamou um moto-taxista, quando tentava subir na motorizada os bandidos apareceram com facas e a ameaçaram de morte, depois receberam-lhe os telemóveis. Mas acho que se a polícia fizesse ronda no bairro as coisas não estariam assim, dificilmente temos visto a presença da policia no bairro o que leva os bandidos a agirem na normalidade", denunciou uma outra moradora.
Os munícipes identificaram o "Ti Guepy" o "Da Luz" e o "Guiloy", como um dos mais temidos da zona. "Eles actuam com facas, ficam principalmente na ruas do Salão do Reino das Testemunhas de Jeová", indicou.
A nossa reportagem estendeu-se a uma outra zona do Kilamba, no bairro Militar, uma área da Engevia, em que residem maioritariamente ex- militares e militares das Forças Armadas Angolanas (FAA). Segundo o senhor Filipe, o bairro nos últimos dias tem registado acções criminais com recurso à arma de fogo. Os crimes de assalto a residências são os que mais ocorrem, com maior frequência no período da madrugada, praticados por elementos que provavelmente fazem uma leitura prévia das residências do bairro e posteriormente atacam.
"Os assaltos ocorrerem na sua maioria entre o período das 23 horas e às 3 horas e 30 minutos da madrugada, temos relatos de muitos assaltos, mas a polícia já começou a dar respostas", relataram.
"Lembro-me que na passagem da noite do dia 23 para para a madrugada de 24 de Junho, ouvimos muitos disparos no bairro, na área da empresa Pingo de Folha, a minha família de casa ficou muito assustada, porque eram muitos tiros, mas a polícia depois apareceu e tudo voltou a estar calmo", explicou uma senhora, que não quis ser identificada.
Tal como os outros bairros em que a nossa reportagem passou, os moradores do bairro Militar não foram indiferentes ao clamarem por patrulhamento da polícia junto das comunidades. "Precisamos de patrulhamento, os meliantes quando não notam a presença da polícia mais fortes se tornam, embora os últimos dias temos notado melhorias, porque a Esquadra da Engevia agora aparece quando for chamada, mas ainda não é o considerável", analisou um dos moradores da zona.











