Motorista da Yango denuncia assalto durante corrida com passageiros identificados e lamenta demora na tramitação do processo no Comando da Polícia da Camama
Segundo o lesado que prefere anonimato, motorista de táxi personalizado (Yango), denuncia ter sido vítima de um assalto na madrugada de 22 de Junho do corrente ano, na zona da Camama, em Luanda, após atender um pedido de corrida feito através da aplicação. Na sequência da denúncia, o motorista está apoquentado com a demora na investigação das autoridades policiais.
Por: Kihunga Bessa
Segundo o relato da vítima, o serviço foi solicitado quando seguia do Kimbangu para o Avó Kumbi. Ao chegar ao ponto de recolha, nas imediações da Escola Ana Paula, no Calemba II, encontrou quatro passageiros: um casal e dois jovens, sendo que um deles aparentava estar doente.
"Quando cheguei, ouvi a senhora a dizer que, ao chegar a casa, bastava tomar a medicação e tudo ficaria bem. Por isso, deduzi que se tratava de uma família séria", contou.
Acrescentou que, no termo da corrida, os passageiros informaram que a residência ficava a cerca de 100 metros do local indicado pela aplicação e solicitaram que fossem deixados à porta de casa, alegando o estado de saúde do jovem.
O condutor aceitou prosseguir com o trajecto. Já no destino, os passageiros perguntaram o valor da corrida, que totalizava 2.200 kwanzas. Enquanto o adulto descia da viatura e orientava um dos jovens a efectuar o pagamento, o motorista acendeu a luz interna do veículo para confirmar o valor.
Nesse momento, afirma ter sido surpreendido pelos ocupantes. Segundo a denúncia, um dos suspeitos imobilizou-lhe um dos braços, enquanto outro exibiu uma arma de fogo e, sob ameaça de morte, roubou-lhe 22 mil kwanzas em dinheiro, um telemóvel e os acessos às contas bancárias Express dos bancos BAI e BFA, onde, segundo a vítima, existiam saldos de 50 mil e 17 mil kwanzas, respectivamente.
Antes de fugirem, os suspeitos lançaram-lhe a chave da viatura e ordenaram que abandonasse o local. Abalado, o motorista dirigiu-se à esquadra policial da Camama, onde apresentou queixa e foi aberto um processo.
Posteriormente, contou com o apoio de um amigo, identificado apenas por "Cadete", que o auxiliou a contactar o serviço Express e a obter informações que permitiram identificar um dos alegados suspeitos, incluindo o nome "Bissaka" e uma fotografia.
No dia seguinte, a vítima afirma ter recorrido a outros contactos para reunir mais elementos sobre o suspeito e encaminhou essas informações às autoridades policiais, esperando que fossem tomadas medidas para a sua detenção.
De acordo com o denunciante, quando o Banco Millenium procedeu ao bloqueio da conta do alegado suspeito, este contactou a instituição bancária para justificar a origem dos valores nela existentes, alegando que não conseguia movimentar o dinheiro.
Segundo a explicação apresentada, os montantes provinham da venda de fuba, actividade comercial que, afirmou, lhe rendia aqueles valores. Entretanto, Alberto Baptista Marcos Tobias manifesta descontentamento com o andamento do processo, alegando falta de resposta por parte das autoridades. "Eles estão a dar-me muitas voltas. Sempre que vou à esquadra, dizem apenas que a detenção dos suspeitos depende da Procuradoria-Geral da República.
Até ao momento, nem sequer me foi entregue o número do processo", afirmou. O denunciante diz temer pela sua própria segurança e pela de outras pessoas, alegando que os presumíveis autores do assalto continuam em liberdade.
Este jornal contactou, por diversas vezes, um dos acusados, através de chamadas telefónicas e mensagens, mas sem sucesso.
De seguida, contactou o porta-voz da Polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, para ouvir o contraditório sobre o assunto, e aguarda pelo seu pronunciamento.











