50 milhões de dólares tira o sono a cidadãos libaneses e agentes do SIC
Cinco cidadãos libaneses estão agastados com a actuação de alguns agentes do SIC, que dizem estar a trabalhar amando de um expatriado, também libanês, que faz deste sector a sua arma de pressão..
Por: Na Mira do Crime
Os queixosos procuraram o Na Mira do Crime para denunciar que, desde 11 de Novembro do ano em curso, quando cerca de 15 efectivos do SIC, SME e das Forças Armadas Angolanas “tomaram de assalto” a empresa SONIT, LDA, no município de Viana, a vida dos expatriados em Angola nunca mais voltou a ser a mesma.
De acordo com Hassan, financeiro da empresa SONIT, que lidera o grupo de libaneses e que diz estar agastado com a actuação dos agentes do SIC, diz que quase todos os dias sofrem torturas psicológicas e físicas.
"Quando eles chegaram no mês de Novembro, disseram que queriam contactar o patrão, Jamal Aly Suand. Estacionaram fora uma viatura de marca Mercedes, de cor azul, com a chapa de matrícula LD-50-69 EK; uma outra Duster de cor preta; uma Land Cruiser de cor verde com a matrícula LDS-66-13 de um coronel das FAA, vinham acompanhados com mais um nosso conterrâneo, libanês, e pediram para falar com o Jamal”, lembrou.
De seguida, continua, foram todos convidados para entrar no escritório “do patrão”.
“Foi aí que nos apercebemos que havia problemas na empresa, já que o patrão, Jamal, sem antes falar connosco, começou a acusar-nos de ter roubado na empresa milhões de dólares”, explicou.
“A partir deste momento, o SIC recebeu-nos os passaportes, usando a força, tendo um dos nossos conterrâneos sido algemado por não ter o passaporte no momento. Um outro amigo do Jamal, conhecido por Omar Zein Eldin, também libanês, que também estava no local, tinha em punho uma arma de fogo, mesmo em frente das autoridades, e dava ordem aos elementos do SIC para nos baterem, sendo que os agentes batiam mesmo e ameaçavam-nos de morte, dizendo que seriamos enterrados vivo”, acusou.
Depois das sevícias
“No dia seguinte, dia 12, depois de passarmos por toda aquela humilhação, abrimos um processo-crime contra o Jamal Ali Suand, no SIC provincial. Por coincidência ou não, dia 13, um dos meus colega e conterrâneo, escapou a uma tentativa de rapto, em frente a uma padaria que está na rua 11 de Novembro, na Vila de Viana, onde elementos desconhecidos tentaram coloca-lo numa viatura de Marca Toyota, modelo Land Cruiser, com a chapa de matricula LD-06-73-FK”, explicou.
SIC na jogada
No dia 16 de Novembro, conta, um dos seus colegas foi levado por agentes do SIC, sem justa causa, numa viatura de marca Ford Ranger, cor de vinho, com a chapa de matricula LD-17-17-EJ, “pertencente a empresa do Jamal”.
“No percurso, um agente do SIC fez uma ligação para o Jamal dizendo missão cumprida chefe, quando chegaram no SIC-Geral, obrigaram-no a assinar um documento com o timbre da empresa SONIT,LDA, exigindo que devia pagar 20 mil dólares em sete dias, mas ele não assinou nada”.
No entanto, conta Hassan, depois de soltaram o seu parceiro, dia 17 de Novembro, agentes do SIC apareceram na empresa com um mandado de busca.
“É sempre assim, não nos dizem quanto roubamos, o Jamal não quer falar connosco, o SIC está a nos maltratar psicologicamente, já contactos com o nosso Cônsul e o Embaixador na África do Sul, para facilitar o nosso regresso ao nosso país, porque consideramos isso um acto de terrorismo. Há 30 dias que estamos em casa por medo, a comida no frigorífico terminou, a casa é arrendada, estamos a passar fome e a família no Líbano esta muito preocupada”, lamentou.
Detido e forçado a assinar um mandado de busca e apreensão sem data
Segundo o nosso entrevistado, na manhã de ontem, quinta-feira, 17, quando eram 10horas da manhã, foi comprar comida num dos restaurantes da Vila de Viana, e foi detido por agentes do SIC, levado a sua residência e obrigado a assinar.

“Retiraram-me do restaurante e levaram-me até uma viatura onde me exigiam assinar um documento de busca e apreensão, sem data e sem ser assinado, mas recusei”, disse, acrescentando que, os agentes que trajavam coletes do SIC com os números 0168, 0123, 0531 levaram a sua viatura de Marca Hyunday, modelo Accent e as chaves de uma outra viatura que estava no seu bolso tendo, de seguida, sido levado até a sua residência.
“Entraram na minha casa e ficaram mais de 1hora a exigir que fossemos a empresa para abrir o cofre e fornecer-lhes a chave, mas recusamos”. De acordo com Hassan, a única coisa que quer é sentar com o dono da empresa, Jamal, para que o mesmo explique quanto foi roubado.
O Na Mira do Crime sabe que está agendado para os próximos dias um encontro entre as partes, no consulado do Líbano.
PGR acha anormal documento de busca ser emitido sem data e assinatura
O Na Mira do Crime contactou fonte da PGR, para questionar se era normal que um mandado de busca foi emitido sem assinatura.
A fonte fez saber que não, "todo o documentos assinado pelo Procurador Junto do SIC-Geral é rubricado e deve ter uma data de emissão”.
Fonte bem colocada no processo segredou ao Na Mira que está em jogo cerca de 50 milhões de dólares que Jamal diz ter sumido dos seus cofres.











