Turma do Apito obriga moradores do Sambizanga a pagar “taxa de segurança”
A Turma do Apito, autodenominada brigada de vigilância, criada no Sambizanga, na vigência da administração de Tomás Bica, actualmente na condição de novo “inclino” do município do Cazenga, obrigam os moradores a pagarem taxa de segurança
Por: Domingos Miguel
Vendedores do Mercado da Pombinha e moradores da circunscrição, são obrigados todos os dias a pagar uma cota de segurança, o que implica dizer que se um morador não consta no caderno dos contribuintes, este, está propenso a assaltos, o que, para muitos habitantes daquela parceira de Luanda, leva a crer que a Turma trabalha em conluio com os meliantes, pois, continuam, muitos integrantes do mesmo grupo têm uma ficha criminal bastante suja.

Numa reportagem feita pelo Na Mira do Crime no coração do Sambizanga, aferimos que os vendedores contribuem com 100kwanzas todos os dias de vendas, ao passo que os moradores pagam 200 kwanzas por semana.
Turma do Apito abriu posto comando para atender a população
Ainda assim, denunciam os moradores, a Turma do Apito abriu um ‘posto comando’, que substitui a esquadra de polícia, e às pessoas que se dirigem ao dito posto comando é obrigado a pagar 250 kwanzas antes de fazer uma denúncia.
“A Turma do Apito continua a ser uma faca com dois gumes, é um assunto que divide a opinião pública, no princípio, a brigada era um mero auxiliar da Polícia Nacional, mas o que parece é que hoje a Turma usurpou o poder da PN, tanto mais que em muitos em casos de assalto, a vítima prefere recorrer ao posto comando da turma, do que na esquadra policial”, explicou um morador que pediu anonimato.

No entender dos moradores, a PN tarda na actuação. Recentemente assistimos o triste episódio protagonizado pela Turma, onde caso de ciúmes quase que custou a vida do jovem João Zage e dois irmãos agentes da PN.
“Até agentes da Polícia já foram agredidos por estes bandidos, imaginem o que vão fazer ou o que fazem com um simples cidadão”, atiraram.
Turma do Apito nova forma de ganha-pão
Paulo Salvador, morador e vendedor da Pombinha, confirma a denúncia de que são obrigados a contribuírem para não serem alvos de assaltos, porque o que parece é que quando deixas de fazer a participação financeira, estás de imediato na mira dos meliantes e quando accionas as forças da brigada, questionam se pagamos a quota. “Caso tenha as cotas regularizadas, o processo avança, se não, morre”. O que parece no entender de Salvador, é que a Turma é uma nova forma de empregabilidade, porque é daí que muitos garantem o ganha-pão para as suas famílias.

Instabilidade à vista
Grupos como estes desenvolveram-se em várias partes do mundo, e hoje por hoje, criam instabilidade no seio da governação. A titulo de exemplo, basta olharmos para realidade das favelas do Brasil, onde grupos armados criaram uma espécie de país a parte, e com novas leis. Nestes locais, quase que a polícia ou o governo não se representa.
A Turma do Apito, com estes poderes atribuídos a si, caminha para esta realidade. Ao substituir a polícia nas suas tarefas, começa a aterrorizar os moradores do Sambizanga. No entanto, vale referir que esta realidade não é apenas do Sambizanga, a Turma do Apito está em vários municípios e bairros de Luanda.











