Tribunal coloca em liberdade cidadãos acusados de vandalizar a esquadra do Catinton
O Tribunal Provincial de Luanda, Dona Ana Joaquina, absorveu sexta-feira, 26, os cinco indivíduos acusados de vandalizar a esquadra de Polícia do bairro Catinton em Luanda, por considerar insuficientes as acusações que pesavam sobre si.
Por: Agostinho Paulo
Tratam -se dos cidadãos Daniel Criscala de 42 anos de idade, Samuel Quimuanga de 37 anos, Paulino Adriano de 32 anos, Ernesto Jamba de 31 anos e Rafael Mandongo de 21 anos de idade, respectivamente.
Durante a leitura dos quesitos, a juíza de direito daquele tribunal, fez saber que após ouvir as duas partes, não ficou provado que no dia 18 de Fevereiro de 2021, por volta das 22h, os arguidos tenham invadido a esquadra e provocados danos, conforme reza os autos de acusação da Polícia Nacional.
"Apresentadas todas às provas possíveis, reatam dúvidas que deverão ser dos arguidos, que gozam de presunção de inocência", explica. Na dúvida a favor do réu, continuou a juíza, não é permitido que este possa ser considerado culpado de algum delito, enquanto restar dúvidas sobre a sua inocência ou não", esclarece.
"A melhor solução é absorver o acusado, mesmo que correndo riscos de colocar um culpado na rua, pois antes um culpado na rua, do que um inocente na cadeia", sentenciou.
Polícia Nacional 'sem argumentos'
Manuel Domingos Alexandre Soares, inspector da Polícia Nacional e comandante em exercício da esquadra do Catinton, declarante do processo, explicou que na data dos factos, encontrava-se em arredores da esquadra a realizar acções de patrulhamento. O oficial, afirmou perante a juíza que as detenções dos cinco indivíduos, foram feitas no interior da esquadra, facto desmentido pelos acusados.
"Apenas conseguimos deter estes cinco, os outros conseguiram meter-se em fuga", justifica.
Em resposta, a juíza aconselhou o oficial a não 'tapar o sol com a peneira' e procurar ser mais astuto na elaboração de factos.
Familiares satisfeitos
Falando em exclusivo ao Na Mira do Crime, alguns membros da família dos arguidos presentes na audiência explicaram que o tribunal fez apenas o seu trabalho. "Estamos felizes pela decisão do tribunal, a Polícia agiu de má-fé".
Polícia mata e não assume o óbito
Rafael Mandongo, familiar, lamenta o facto de polícia descartar-se da sua responsabilidade de assumir o óbito do irmão.
"A Polícia matou o meu irmão, devia ter assumido o óbito, não acompanhei o seu funeral, por estar detido injustamente", lamenta. Vale recordar que os arguidos, ficaram detidos oito dias, e impedidos de manter contacto com os seus familiares.
O Caso
Os cidadãos eram acusados de protagonizar actos de vandalismo que culminaram com a destruição de painéis electrónicos, computadores e vidros de janelas da esquadra.
A confusão teve início na passada quinta-feira, 18, quando a Polícia Nacional recebeu uma denúncia que dava conta que, na rua da Lavagem, havia um grupo que estava a vandalizar uma residência, pertencente a um indivíduo acusado de matar, na terça-feira, um jovem, conhecido por Alberto, durante uma rixa entre grupos rivais.
No local, segundo o porta-voz da Polícia Nacional, Nestor Goubel, a corporação foi recebida com tiros e arremessos de pedras, situação que gerou uma troca de tiros, culminando com a morte de um jovem, por sinal irmão de Alberto, morto na terça-feira.
Os familiares e amigos, inconformados, levaram o corpo do jovem à esquadra e vandalizaram-na.











