Agentes do SIC amarram e torturam cidadãos com cabos de energia e ferros até paralisarem os membros superiores
Dois cidadãos nacionais, Joaquim domingos Fernando cabaça e Joaquim José Zua Tobe de 32 e 29 anos de idade, trabalhadores da empresa Ulengo Center "Glakeni", com as funções de técnicos de manutenção, foram brutalmente espancados por agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), no dia 8 de Fevereiro, depois de serem acusados de furtarem dois computadores e uma impressora.
Por: Carlos Quicuca
De acordo com as vítimas que falaram em exclusivo ao Na Mira do Crime, tudo aconteceu depois que a direcção da empresa deu a falta dos instrumentos.
“Nove dias depois, isso no dia 17 de Fevereiro, fomos chamados pelos senhores Chima, chefe de Segurança, e o senhor Capita chefe dos Transportes, bem como o responsável dos Recursos Humanos”, lembrou, acrescentando que, os chefes diziam que foi feita uma investigação através de camaras de vídeo vigilância, e chegaram a conclusão que os mesmos eram os gatunos.
“Levaram-nos até a esquadra do bairro Nandó, onde não tinha agentes do SIC, foi aí que o senhor Capita ligou então para um seu conhecido do SIC, e fomos lavados para a esquadra dos Contentores (Golfe), onde fomos amarrados e torturados com cabos de energia e ferros, por dois agentes do SIC”, denunciou.

Com a brutalidade com que se empregava a violência, os membros superiores dos jovens paralisaram.
“Havia um agente de nome Jeovani, nós implorávamos para pararem de nos bater porque a dor era insuportável, mas eles não deixavam. Depois de nos maltratarem, levaram-nos a esquadra do antigo controlo, onde ficamos por 24 horas”.
No dia seguinte, contam, regressaram a esquadra dos Contentores, onde chegou um dos engenheiros da empresa, que fica com as chaves do escritório, que disse que as câmaras não mostravam os jovens a furtar nada.
“Aí o chefe do SIC apercebeu-se do erro, e mandou-nos levar para o hospital, onde receberam os primeiros socorros”, lamentou.
Segundo os entrevistados, dada a gravidade, o engenheiro levou-os para a clínica Paulo e Paula, sito no Luanda Sul.
“Como é que se explica que houve assalto na empresa, se não há vestígios de arrombamento nem imagens das pessoas que furtaram?”, questionaram.
Jovens querem justiça
Depois da detenção e agressão a que foram submetidos injustamente, os funcionários do Ulengo, procuraram a direcção da empresa para tirar satisfações junto do seu director, apenas conhecido por Neto.
“Ele recebeu-nos sorrindo e disse ironicamente que não sabia que a polícia bate, e que tínhamos que ser sacrificados para salvar outros…pediu-nos descaradamente para guardarmos a surra para aqueles que realmente roubaram o material. Quando deixamos claro que íamos nos queixar, ele disse apenas que poderíamos ir aonde quiséssemos que não daria em nada”.
De acordo com Joaquim, a empresa ainda os descontou 14 mil kwanzas mesmo não tendo cometido crime algum.











