Luanda “abre as” portas a cólera, doenças diarreicas agudas e malária
A capital angolana, Luanda, com as chuvas que a fustigaram nesta terça-feira, tem todas as condições criadas para, a qualquer altura (diabo seja surdo) ser confrontada com doenças como a cólera e outras do mesmo fórum.
Por: Lito Dias
Ao que tudo indica, as fórmulas para inverter o presente quadro só pertencem a Deus, já que os homens parecem estar bloqueados. Como é da praxe, as enxurradas que Luanda acolheu causaram, como é evidente empecilhos de vária ordem.
Os trabalhadores que vivem principalmente na periferia foram os mais afectados, devido à falta de táxis e ao trânsito lento.
Embora esse fenómeno natural, depois de um longo interregno, esteja, agora, a causar estragos, no caso concreto de Luanda, onde a chuva só mata e estraga, deixa transparecer um certo comodismo por parte das autoridades competentes.
A capital angolana tem características próprias, mas em vez de darem soluções certas aos problemas concretos, apostam em remendos, algo que, por si só, se traduz em gastos onerosos do erário público.
É caso para dizer que quem não conhece o seu passado é obrigado a repeti-lo. Os amontoados de lixo por todos os cantos de Luanda e até a poucas dezenas de metros do palácio presidencial, reforçados pela chuva, podem estar na origem de várias doenças, como a cólera, doenças diarreicas agudas e malária.
Para quem conhece a realidade de Luanda, este cenário não é de almejar, legalizar ou perpetuar, pois, do outro lado, estão os hospitais que só convidam as pessoas para morrerem.
Como se estivessem distraídas, as autoridades deixaram-se uma vez mais surpreender por cenários negros na maior parte de Luanda.
Para além do lixo, a falta de transporte, de água potável, a intransitabilidade das estradas associa-se a esse quadro.
60 PORCENTO DAS MORTES NOS HOSPITAIS SÃO EVITÁVEIS
Agora, que está em voga a Covid-19, as doenças como as diarreias agudas, paludismo, a tuberculose diabetes cardiovasculares parecem estar relegadas ao segundo plano.
Apesar de se apregoar que, em matéria de saúde está tudo bem, a realidade há muito escondida, traz à ribalta estatísticas que ilustram que a vida em Angola é para ser despendida.
Basta olharmos para os números que indicam que 60 por cento das mortes nos hospitais são evitáveis. Apesar de imponentes infra-estruturas continuarem a ser erguidas em quase todo país, elas não respondem quantitativa nem qualitativamente as necessidades das populações.
Às vezes, temo-las em quantidade, mas não em qualidade, e este défice contribui para o elevado nível de mortalidade.
Em entrevista recente a TV Zimbo, o médico Silas Manuel esmiuçou as debilidades na qualidade e no sistema de segurança do paciente no contexto hospitalar no país, tendo considerado "vergonhoso que um membro da Executivo vá à Cuba para se tratar de diabetes". Ele, que é também professor universitário, apontou a inexistência de centros de referência de diabetes e cardiologia.
"Por isso, vemos hospitais de Cuba cheios de governantes angolanos a procura da cura dessas doenças", explicou, acrescentando que até há muitas mulheres que "saem de Angola para irem ter bebés no Brasil, Cuba, Portugal e outros países da Europa". Para ele, a criação de cuidados primários, em alguns países africanos, já não é problema.
Nas no caso concreto de Angola, constitui um dos principais problemas. Visto por Silas Manuel, as causas desse baixa estão bem identificadas: o que existe é a falta de vontade, pois já sabemos que "não precisamos de projectos; precisamos de planos de acção; precisamos de uma medicina baseada em evidências".











