Mais de 450 funcionários do BPC despedidos por furtarem valores nas contas de clientes
Cerca de 500 num total de 750 funcionários que deixaram o Banco de Poupança e Crédito (BPC) nos últimos dois anos foram despedidos por fraude a envolver a retirada de dinheiro de contas dos clientes, enquanto os restantes 250 saíram por extinção de postos de trabalho no âmbito da 1.ª e 2.ª fase do encerramento de agências bancárias um pouco por todo o país em 2020, prevista no Plano de Reestruturação do banco, apurou o Expansão.
Estes 500 funcionários foram "tramados" pelo sistema de controlo interno implementado pelo conselho de administração que entrou a meio do ano de 2019 e que tem originado "pressões" por parte de elementos fora do banco. "Não nos podemos esquecer que o BPC, durante anos, foi o depósito de emprego de familiares de elementos do poder político.
Depois dos despedimentos recebemos telefonemas a pedir para não despedir o sobrinho ou o primo, mas as regras hoje são iguais para todos", adiantou um elemento próximo da nova administração, adiantando que há até casos de "ameaças de morte" a alguns elementos do banco.
Entre as práticas que levaram ao despedimento estão principalmente o desvio de dinheiro de clientes para uma só conta sem que o colaborador depois conseguisse justificar a transacção ao departamento de controlo interno. Se, por um lado, algumas vezes esta prática resultava do "à-vontade que esse funcionário tinha com o cliente que, por sua vez, recebeu crédito fácil do próprio banco", noutras foi necessário contactar o cliente para que este confirmasse a suspeita de que estava a ser lesado.
"Em alguns casos eram práticas antigas e nunca foram resolvidas porque os clientes também nunca apresentavam queixas, uns porque nem se apercebiam e outros porque, lá está, conseguiram esse dinheiro por via de financiamentos muito fáceis e eram permissivos para não arranjar problemas", admite uma fonte do banco. Neste sentido, o BPC encaminhou queixas às autoridades policiais e à Procuradoria-Geral da República mas, ao fim de um ano, nada se sabe sobre o encaminhamento desses processos a julgamento.
C/Expansão











