Roubo nas lavras agrava fome no Bié
A estiagem que se verificou nos primeiros meses do presente ano, um pouco por todo país, deitou por terra a expectativa de uma colheita à altura de garantir alimentação aos bienos, onde a fome já começa a espreitar e, com ela, roubo de culturas a piorar o cenário que já clama por ajuda do Executivo.
Por: Lito Dias
A nossa reportagem do Na Mira do Crime esteve nos municípios do Chinguar, Catabola e Kamakupa, onde constatou que a ausência das chuvas provocou sérios danos às culturas.
"Não há milho, nem batata rena, como nos anos anteriores", revelou um Mário Sangueve, um agricultor do município do Chinguar que confessou ter muita quebra. "O feijão sobreviveu um pouco", enfatiza.
Ele conta que, para além dos efeitos da estiagem, o outro problema com que depara é o roubo de milho.
"Aqui, os ladrões estão a prejudicar-nos muito; eles estão apostados em levar todo milho e feijão ", disse, acrescentando aproveitam a calada da noite para roubar.
Situação similar vivem as populações de Catabola onde, desesperadas pelos estragos da estiagem, as populações procuram fazer qualquer coisa para a fome não assolar com tanta intensidade.
“Pedimos apoio ao Executivo para nos ajudar”, clamou Manuela Kalombambi que já não tinha mãos a medir depois de perder todo milho que tinha restado da sua lavra. “Os gatunos levaram tudo”, contou.
Agora que perdeu quase todo o milho, a esperança reside no na cultura do feijão e batata-doce os dois produtos que resistiram à estiagem.
Kamakupa gaba-se com arroz
Justamente no centro de Angola, está o município de Kamakupa, a 82 km da cidade do Kuito. Antiga vila General Machado, a sede do município clama por quase tudo; desde a reabilitação das ruas que ainda ostentam o asfalto da era colonial, à reparação de algumas infra-estruturas.
Kamakupa é auto-suficiente, mas a estiagem provocou também alguns estragos. Quando menos se esperava, este ano, a cultura do arroz aumentou significativamente transformando-se no cartão-de-visita do município.

Trata-se da produção local, mas inacessível por causa dos preços aplicados. “Não sentimos muito os efeitos de estarmos a produzir arroz aqui no nosso município; era suposto que os produtos produzidos internamente fossem mais baratos, mas não é o que acontece”, reclamou o estudante Jojó Pedro.
Os efeitos da seca são visíveis, segundo o estudante, que associa a falta de fertilizantes à fraca produtividade. “Os solos estão cansados, já não produzem nada sem fertilizantes; e nem todos os agricultores têm condições de adquiri-los. “Aqui, muita gente que já não cultiva; prefere trabalhar nas lavras daqueles que têm condições de cultivar a terra, em troca de míseros kwanzas.











