Corpos de crianças estão acumulados na Morgue do Hospital do Kapalanga
Há dezenas de crianças a morrerem nos hospitais do município de Viana.
Uma equipa do NA MIRA DO CRIME saiu ontem, quarta-feira, 26, ao cair da noite, para visitar a maior unidade hospitalar de Viana, o Hospital do Kapalanga, depois de denúncias que várias crianças estavam a ser tratadas em condições deploráveis e, às que perderam a vida, estavam a ser acumuladas numa só gaveta, naquela unidade hospitalar.
Por: Osvaldo de Nascimento
Por volta das 18h50, demos entrada a unidade hospitalar e nos dirigimos ao banco de urgência. Justamente na porta, como ilustra a imagem, uma criança estava a ser lavada pela sua mãe para acalmar a febre. Questionámos se não havia uma casa de banho para tal, pelo que nos foi explicado que, tal como outras, as enfermeiras estavam a mandar lavar os petizes nos passeios para acelerar o atendimento, uma vez que, de minuto em minuto entravam crianças enfebradas.

Na sala de tratamentos, por exemplo, mais de 90 crianças estavam a ser assistidas por um grupo não superior a três enfermeiras.
Notamos o vai e vem da supervisora, de nome Mariza, que tudo fazia para atender tudo e todos.
Quando demos entrada a sala de tratamento intensivo, bem ao lado da porta, estava deitado um adolescente de aproximadamente 14 anos de idade. Ao seu lado, por incrível que pareça, estava um cadáver enrolado num pano, aguardando os trabalhadores da morgue.

O corre-corre dos familiares no corredor do hospital era intenso. Famílias saíam para as farmácias em busca de seringas,brandula ampôlas de arthmether e amoxaciline.
Na sala onde encontramos o cadáver, várias crianças estavam na mesma cama por falta de lugar. De acordo com uma enfermeira, o que está a matar as crianças, principalmente, são as dispeneias e malária. Segundo fonte hospitalar, já há casos de cólera no hospital.

"As crianças que estão a dar entrada estão acometidas principalmente com malária e falta de ar, não há fármacos, não há anti-paludicos não há soro, não há nada", atirou, visivelmente exausta.
Mamã Jacinta empurra doentes para o Kapalanga
De acordo com enfermeiros que falaram ao Na Mira do Crime sob anonimanto, uma das causas da enchente no hospital do Kapalanga, é a evacuação dos doentes de outras unidades sanitárias do município, que, mesmo sabendo que a central (Kapalanga) está sem meios, enviam os doentes.

"Esta doente que o senhor jornalista vê aqui, foi enviada pelas enfermeiras do hospital Mamã Jacinta sem nenhuma guia, assim teremos que fazer os procedimentos do princípio".
Não há testes rápidos de Covid
Uma das preocupações dos técnicos de saúde do hospital do Kapalanga, é a falta de testes rápidos de Covid-19.
Os enfermeiros arriscam as suas vidas tratando os pacientes que chegam de várias partes do município e com vários sintomas identicos aos da Covid.

"Temos apenas dois enfermeiros e uma sala preparada para atender casos de Covid. Mas às vezes é que, quando o doente chega já teve contacto com vários outros doentes, e até ser feito o teste de zaragatoa que é o único que temos, e em números diminutos, já várias pessoas podem ter sido infectadas, e aqui não temos como atender todos".
Gavetas da morgue avariadas, corpos são amontoados numa só gaveta
Duas gavetas da morgue do hospital estavam, até ao final do dia de ontem avariadas. Sendo assim, segundo um funcionário da morgue, oito corpos de crianças estavam amontoadas numa só gaveta.
A fonte avançou ainda que, nos últimos dias a situação tende a piorar, o número de óbitos, principalmente de crianças, triplicaram naquela unidade sanitária.











