Sem uma esquadra móvel: Meliantes tomam de assalto bairro Rocha Pinto
A retirada de uma esquadra móvel no Rocha Pinto, Distrito Urbano da Maianga, está a fazem com que os meliantes controlem aquele bairro. Em entrevista ao Na Mira do Crime, os moradores denunciam a subida em espiral da criminalidade, atribuindo nota zero à Polícia Nacional a quem solicitam uma intervenção urgente para mudar o quadro actual.
Por: Matias Miguel
Um desses moradores que falou a nossa reportagem foi José Kimbiri, Coordenador da Comissão de Moradores do Bairro Morro da Luz, Sector A, que considerou alto o índice de delinquência no Bairro Huambo, e deu mesmo nota Zero ao trabalho da Polícia Nacional naquele Distrito do Município de Luanda.
“A partir das 18h00, começa o nosso calvário, tão logo os restaurantes e lanchonetes começam a encerrar em obediÊncia ao Decreto Presidencial, embora há sempre uma porta aberta para atender os clientes, aí os marginais, colocam logo uma barreira na entrada do bairro, conhecida como ‘Casa do Romeu’”, denunciou, garantindo que, com essa barreira, em forma de controlo, o interior do bairro fica a mercê dos ‘amigos do alheio’.
“Aqui quem controla o bairro são os marginais e fazem de tudo: desde assaltos, roubos, violações e, infelizmente, a nossa Polícia não tem feito o seu trabalho como deve ser”, explicou, acrescentando mais adiante que, não se observa patrulhamento policial na zona, não obstante ter a 21ª esquadra próximo do local.
Militares das FAA chamados a apoiar a Polícia
Segundo os moradores, a Polícia tem alegado a falta de meios técnicos e humanos para conter a onda de criminalidade que assola aquele bairro, com o bairro Huambo a ser o mais endémico, desde os tempos idos.
“Achamos que se a Polícia não está a dar conta do recado os militares, maior parte deles, nos quartéis já que estamos em tempo de paz, deveriam prestar algum apoio a nossa Polícia para mudar o quadro actual.
No entender daqueles moradores, a Polícia não está a altura para responder actuais níveis de delinquência que a cidade capital atingiu, estando por isso, a se registar, em diversos bairros, situações de justiça por mãos próprias por parte da população, mesmo em zonas onde existam inúmeras unidades policiais.
“Muitos desses marginais são mesmo nossos filhos e irmãos, coabitam connosco durante o dia, mas, infelizmente, de noite mudam de actos. Eles circulam com armas brancas, como facas e catanas, pistolas e , até mesmo, armas do tipo AKM de cano cortado”, sustentam os moradores, sublinhando que, pela descrição dos marginais envolvidos nos assaltos, alguns deles são provenientes de outros bairros e fazem fusões com grupos marginais residentes na zona.
A gota d’água…
De acordo com os nossos entrevistados, a ‘desgraça’ daqueles moradores aumentou com a remoção da Esquadra móvel que se encontrava na zona após a morte de um jovem por um agente da Polícia, o que gerou uma onda de revolta e contestação, que culminou com a destruição da referida esquadra móvel.
“A partir daí a situação agravou-se. Os marginais tomaram conta do bairro e os agentes da Polícia Nacional nada fazem para inverter o quadro”, apontaram.
Num curto espaço de tempo, segundo disseram, pelo menos três residências foram assaltadas, tendo na primeira residência, um maliano ficado ferido por disparo de arma de fogo, depois de ter resistido ao assalto que a sua família foi vítima”, denunciaram.
Dois dias depois, acrescentaram, duas outras residências foram também assaltadas, tendo os marginais surripiado dinheiro e cartões multicaixa com os respectivos códigos.
Locais mais críticos
Numa ronda efectuada no Rocha Pinto, os moradores apontam a famosa ‘Casa Romeu’, a Rua do Zeca Quirir, a zona da Igreja Católica e do Bunga Jorge bem como o Quarteirão 3, junto ao Colégio Darce, como as áreas mais críticas do bairro, sem que a Polícia consiga gizar acções policiais para inibir a actuação dos ‘amigos do alheio’.
“A Polícia conhece os locais de concentração dos marginais, mas nada faz. Se eu como munícipe conheço esses locais e o agente da polícia que tem o dever de controlar e proteger os munícipes acho que também conhece”, disse um munícipe que, por temer represálias preferiu falar sob anonimato.
“Ontem vi na televisão o Comandante municipal a destacar efectivos com certificados de mérito e a dizer que a situação estava controlada. No meu ver, a situação está apenas controlada na televisão porque na prática, aqui no local, as coisas estão cada vez pior”, ironiza.











