Cortejos de mortes por malária nas portas dos hospitais do país tendem a aumentar
Angola debate-se com um surto de malária, sendo que, as crianças e os adolescentes, têm sido os mais visados.
Por: Patrícia da Silva
Embora as autoridades têm feito ouvidos de mercador em relação a doença que já tem feito um número considerável de vítimas, a contar pela quantidade de doentes nas enfermarias e bancos de urgências dos hospitais da capital do País, a grande preocupação prende-se, sem sombras de dúvidas, desta malária estar associada a anemia severa, cujos sinais, são a cor amarelada dos olhos dos doentes bem como, fortes dores nas articulações e no corpo.
Portanto, uma espécie de ‘catolotolo’ já vivenciado e bastante conhecido entre os angolanos, aquando do surto de febre amarela que fez um exército de vítimas e que, tal como agora, as autoridades sanitárias não conseguiram decretar estado de emergência ou pedir ajuda internacional para a sua rápida erradicação.
Em Angola, a malária não tem sido combatida como devia ser, afirma Lucas Chivinda a DW: "Nós gastamos recursos do país na compra dos fármacos e isso não é a medida mais adequada para contornarmos a situação da malária. A situação da malária passa por saneamento do meio, passa por outras medidas adicionais de modo a contermos a proliferação desta doença. Mas o nosso Governo tem estado a gastar tanto dinheiro para combater os efeitos e não as causas, isto também carece se calhar de uma reflexão do topo".
Tal como na era de José Eduardo dos Santos, a malária em Angola, continua a ser principal causa de morte, seguida dos acidentes de viação. Neste sentido, não se vislumbra qualquer interesse das autoridades sanitárias para um combate cerrado a essa epidemia que, convenhamos, está a fazer mais vítimas do que a covid-19.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, revelou nesta quarta-feira, 17) que o país registou de Janeiro a Maio de 2021, 3.799.458 casos de malária com 5.573 mortes, o que corresponde a uma taxa de 0,1%. No entanto, colegas da ministra dizem que o número é maior. Em Luanda, por exemplo, a venda de caixões dispararam e os cemitérios registam uma subida acentuada de funerais.
É hora das autoridades olharem para a malária com algum sentido de Estado e colocarem à disposição dos doentes e do corpo médico dos hospitais desse País, principalmente os de primeira linha, refiro-me aqueles que estão localizados nos bairros, aldeias e comunas, todas às condições necessárias para se evitarem mortes gratuitas, numa altura que a maioria dos países já erradicaram esta doença.
Aproveitem os dinheiros confiscados no combate à corrupção, nos contentores do major Lussaty e tantos outros que delapidaram o País, para que se invista fortemente nos hospitais públicos.
Camaradas, o cortejo de mortes por malária, nas portas dos hospitais é uma realidade e carece de intervenção urgente para se evitar o que vimos com a febre amarela.











